22 de novembro de 2017

O mundo seria um lugar muito melhor se...

24 de outubro de 2017

Ver além do que se vê. Definir uma pessoa sem olhar para a aparência.


Sempre vou bater nessa mesma tecla várias vezes e quantas vezes for preciso. Não sou responsável pelo que as pessoas dizem e pensam. Mas  insisto não concordar com" rótulos". Algumas vezes por não valer a pena sequer argumento ou respondo. Mas fico incomodada comigo mesma. 

Até entendo que algumas pessoas tem um certo pensamento, e não sabem se expressar e acham absolutamente normal se referir de certa maneira. Entendo pessoas " antigas" que falam sempre da mesma maneira. Mas como não podemos controlar o que as pessoas pensam, fazem e acham, me limito a corrigir quando acho conveniente. Sempre com educação.

A verdade é que todos nós temos a mania de nos referir à pessoas baseado nas suas características. Quem nunca fez, atire a primeira pedra. Ao se referir à uma pessoa alguns termos: Aquele (a) gordinho (a); Aquela (a) magrinho (a). Outro dia uma pessoa se referiu à minha filha da seguinte forma à outra:  - Ela tem uma filha doente.

Imediatamente e sem pensar respondi: - Não, ela não é doente. O nome dela é Jaqueline! Ela é uma pessoa como eu, como a senhora, tem nome, sobrenome, identidade e cpf. Ela é feliz, mais do que muitas que andam, sem maldade no coração e muito grata. A pessoa ficou sem graça, e depois até em pensamento critiquei a mim mesma por ter dado tantos detalhes e satisfação. Bastava só dizer que o nome dela é Jaqueline.

Depois, pensando comigo mesma me veio à mente que geralmente as pessoas não enfatizam as qualidades das outras e se preocupam muito com a aparência. Basta não andar para ser "doente "; basta ter alguma alteração neurológica para ser " doido", e por aí vai a vasta gama de rótulos sem conhecimento. Sei que isso é hábito e como eu disse algumas pessoas nem percebem que erram. Não sou responsável por elas, não vou mudar o mundo e não vou ficar brigando com todos por isso. Perdi as contas de quantas vezes virei as costas porque não valia a pena. 

Dou aqui o exemplo da família materna e paterna da Jaqueline . Tenho a benção de ter pais maravilhosos. Minha mãe sempre foi muito rígida, e sempre nos ensinou a ter respeito, educação e tratar todas as pessoas da mesma forma. Durante minha infância tive contato com amigos que tinham alguma deficiência e sempre fui defensora árdua contra injustiças e preconceitos. Mesmo que eu tenha sofrido alguns por usar óculos, tampão, eu sabia como era se sentir por baixo algumas vezes. Era amiga de verdade dessas pessoas, não tinha dó e sim muita admiração, amor, carinho e respeito. Meus pais, irmãos, primas da Jaque nunca a trataram diferente. Meu pai mesmo sendo meio antigo e conservador sempre tratou a Jaque de uma maneira linda. Por ver o como a tratamos, muitas pessoas mudaram seu jeito. 

A família paterna a mesma coisa (salvo algumas exceções) que já se referiram à ela como doente por exemplo. Já passei por situações que vi nitidamente que alguma pessoa tinha vergonha. Isso me doeu por alguns anos, mas depois resolvi isso dentro de mim e penso que é uma pena essa pessoa achar isso e não se dar a chance de conhecer o melhor dela. Minha sogra quando viva mesmo tendo ainda alguns pensamentos antigos sempre foi carinhosa, sempre amou de verdade a neta, sempre preocupada, e sinto muito a falta dela pois independente de data (aniversário, natal, dia das crianças) ela aparecia, trazia algo pra colocar no cabelo da Jaque, e tenho essas coisas até hoje. 

Aliás, tocando nesse assunto de conhecer é o que percebo que fazemos constantemente: Analisamos uma pessoa somente pelo que vemos. Não pelo que ela é. Vemos se tem tatuagem, se tem opção sexual diferente, se é mais gordinho ou magro demais. Marcamos mais isso do que a personalidade , caráter, jeito de ser, e algo importante e bom que a defina.

Definir uma pessoa não é pelo que se vê e sim pelo que sente. Uma pessoa é um conjunto de atitudes. Então, não é pelo fato da minha filha não andar que ela é doente. Não é porque uma pessoa na rua que vejo é toda tatuada que ela não tem caráter. Não é porque uma pessoa se veste bem que não pode ser um ladrão. Não é porque uma pessoa é negra que é bandido. Esses rótulos são tão errados... Aliás se tem uma coisa que abomino é teorias, conceitos pré estabelecidos que não mudam ou não se dão a chance de mudar.

Claro que vejo isso em pessoas próximas, que acham isso e aquilo do mundo à volta e eu não concordo. Mais uma vez vou lá explico mas sei que muitas não assimilam. Mas também não fico a paisana analisando cada palavra que cada pessoa vá me dar pra ter que contestar. Cada pessoa pode pensar da forma que quiser. Mas também me dou ao direito de falar o que penso, o que é realmente de fato, ou simplesmente virar as costas e dar o silêncio como resposta. 

Independente de qualquer coisa, a minha filha vive a vida dela, feliz, grata, sempre expressando os sentimentos às pessoas que ela gosta. Ela não  tem maldade do mundo, e eu a trato acima de tudo como uma pessoa. Não a olho e nunca a olhei com piedade, nunca a achei doente, pra mim é um exemplo de pessoa. Acima de qualquer coisa é minha filha, e trato com muito carinho, respeito, amor e limites. Isso é o que toda pessoa deveria dar e receber e nós damos e recebemos isso dela. Não acho que o mundo tem que parar pra que eu passe, não olho apenas para o meu umbigo. Tenho educação, gentileza, compaixão, empatia mesmo que não receba o mesmo de volta. Não me acho a melhor pessoa do mundo, mas cuido de uma que para mim é a melhor pessoa que poderia ter na vida. 

Permito-me mudar. Permito- me mudar de ideia. Acho que posso ser um décimo do que minha filha é. Isso já é alguma coisa. Posso ser melhor. E não a melhor. Não sou nada. Nada somos. Apenas aprendizes da vida se assim quisermos ser. Somos falhos, não melhores do que ninguém. 

Todos nós estamos sujeitos ao precário da vida. 

(Adriana Silva)

11 de outubro de 2017

Dia da Pessoa com Deficiência Física - 11 de Outubro

3 de outubro de 2017

O outro lado que ninguém conta...


Esse rótulo de que nós mães de Pessoas com Deficiência ou com Síndrome Rara somos guerreiras e fortes, ou mães especiais me incomoda um pouco. Antigamente eu escrevia  que minha filha é especial, mas antes de qualquer coisa ela é uma pessoa e eu apenas uma mãe.

Mãe com algumas rotinas a mais. Mas mãe. Mãe como qualquer outra que luta por seu filho, que tem suas imperfeições, limitações também. Empoderam tanto o fato de sermos mães de nossos filhos que fico com uma impressão de que temos que provar a todo momento que nossos filhos são capazes e felizes e que somos abençoadas, fortes, lutadoras, como se tudo tirasse de nós o direito de reclamar, de ficar cansadas, de não sentir nada, de não ficar doentes, melancólicas de vez em quando com tanto desgaste devido a tanta coisa pra fazer. O termo especial é lindo, mas dá impressão que quando atribuído a nós mães é como se fossemos mulher maravilha sem direito a fraquezas.

Eu não sinto necessidade de ter que provar às pessoas a felicidade que habita a minha casa,  e a minha intenção é apenas compartilhar. Não sinto necessidade de dizer que a minha filha é feliz, que ela faz isso ou aquilo. Não me incomodo mais com muita coisa sabe porque? Porque nenhuma  pessoa que me deu uma opinião negativa, um olhar que fala mais do que mil palavras me ajudou a fazer um décimo do que ela necessita em seu dia a dia. E mesmo que ajudasse, ninguém sabe como é estar na pele do outro.

Ninguém comenta sobre o outro lado. Quando por ventura a gente passa por algo e comenta algo, vejo respostas como se aquilo que estamos sentindo fosse algo pequeno. Quantas vezes passei por coisas SOZINHA porque eu sabia que não podia contar à NINGUÉM. Ninguém entenderia! 

Se você diz: Estou cansada, lá vem a resposta: - Você é guerreira! 
Se você diz que está com dor:  - Ah, você é forte! 
Se você reclamar de algo da vida: Ah, frescura, tenha Fé em Deus!
Sentimentos são frescura?
Sentir dor é proibido?
Ficar doente é crime?
Cadê a preocupação com o bem estar das mães?
Por que no lugar dos questionamentos não há humanidade e amor? 
Por que na maioria das vezes algumas pessoas que lidam com nós mães agem feito robôs e acham que também somos máquinas?

Antes de cobrarmos menos preconceito do mundo, mais postura inclusiva, mais oportunidades aos nossos filhos, precisamos ter em mente que nossos filhos são extensões de nós certo? Então, por qual motivo separam eles de nós quando algo dá errado e não somos a perfeição que tanto idealizam? 

Não podemos cobrar que o mundo olhe com mais amor para nossos filhos, se não mostramos às pessoas que é preciso amor , educação e respeito para toda e qualquer pessoa.  Ao invés de criticar oferecer ajuda. Ao invés de apontar dedos abraçar. O mundo seria perfeito. 

Precisamos que nos olhem como seres humanos e não como super heroínas ou coitadinhas. Que enxerguem em nós pessoas e não uma guerreira com uma missão a cumprir.

Não adianta cuidar apenas dos nossos filhos... É preciso mais delicadeza, humanidade e amor ao lidar com uma mãe. Dentro de cada uma há sentimentos, emoções, dificuldades, tristezas, e é claro muitas alegrias... Mas que fique bem dito que todas nós temos aqui dentro um coração e não somos máquinas, que podemos sim cansar e nem por isso estaremos pecando. Cada um sabe dentro de si o que é amor, o que é dor. 

2 de outubro de 2017

O que é Paralisia Cerebral? Instituto Nossa Casa

21 de setembro de 2017

Seja diferente para fazer a diferença

21 de setembro: Dia Nacional de Luta da Pessoa com Deficiência



Daniel Limas, da Reportagem do Vida Mais Livre

Você sabia que, em 21 de setembro, é comemorado e lembrado em todos os estados brasileiros o Dia Nacional de Luta da Pessoa com Deficiência? Essa data foi instituída em 14 de julho de 2005, pela Lei Nº 11.133. Na verdade, ela começou a ser lembrada em 1982, por iniciativa de movimentos sociais.

Essa data foi escolhida porque é próxima ao início da Primavera (23 de setembro) e coincide com o Dia da Árvore, datas que representam o renascer das plantas, que simbolizam o sentimento de renovação das reinvindicações em prol da cidadania, inclusão e participação plena na sociedade. Foi Cândido Pinto de Melo, um ativista do movimento das pessoas com deficiência, que propôs, no início da década de 80, esta data. Cândido foi um dos fundadores do Movimento pelos Direitos das Pessoas Deficientes – MDPD, organização de pessoas com deficiência que já se reuniam mensalmente desde 1979, e discutiam propostas de intervenções para a transformação da sociedade paternalista e da ideologia assistencialista.

Acreditamos que divulgar e lutar pelas causas das pessoas com deficiência é um trabalho diário. No entanto, o 21 de setembro é muito importante como um marco, e pede a nossa reflexão e a busca por novas soluções. Este é o dia, também, em que as mais de 45,6 milhões de pessoas com deficiência, apontadas pelo Censo de 2010, realizado pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), devem colocar suas caras nas ruas ou mesmo nas redes sociais e reivindicar seus direitos.

Afinal, apesar das conquistas recentes, a desigualdade, a exclusão, o preconceito e a falta de acesso a serviços ainda continuam enormes.

Para evitar a exclusão, nada melhor que a informação. Conheça algumas das principais leis brasileiras que tratam sobre os direitos das pessoas com deficiência:

Lei Federal  nº 7.853, de 24/10/1989 – Estatuto da pessoa com deficiência – dispõe sobre a responsabilidades do poder público nas áreas da educação, saúde, formação profissional, trabalho, recursos humanos, acessibilidade aos espaços públicos, criminalização do preconceito.

Close nas mãos de uma mulher usando língua de sinaisLei Federal  nº 8.213, 24/07/1991 – Lei de Cotas – dispõe que as empresas com 100 (cem) ou mais empregados devem empregar de 2% a 5% de pessoas com deficiência.

Lei Federal  nº 10.098, de 20/12/2000 – Direito à Acessibilidade – dispõe sobre acessibilidade nos edifícios públicos ou de uso coletivo, nos edifícios de uso privado, nos veículos de transporte coletivo, nos sistemas de comunicação e sinalização, e ajudas técnicas que contribuam para a autonomia das pessoas com deficiência.

Lei Federal nº 10.436, 24/04/2002, dispõe sobre  o reconhecimento da LIBRAS – Língua Brasileira de Sinais para os Surdos.

Lei Federal 9.394/96 – Diretrizes e Bases da Educação Nacional (LDB) – reconhece que a educação é um instrumento fundamental para a integração e participação de qualquer pessoa com deficiência no contexto em que vive. Está disposto nesta Lei que “haverá, quando necessário, serviços de apoio especializado, na escola regular, para atender às peculiaridades da clientela de educação especial e que o atendimento educacional será feito em classes, escolas ou serviços especializados, sempre que, em função das condições específicas dos alunos, não for possível a sua integração nas classes comuns de ensino regular”. A legislação brasileira também prevê o acesso a livros em Braille, de uso exclusivo das pessoas com deficiência visual.

Lei Nº 4.169, de 4 de dezembro de 1962 – Oficializa as convenções Braille para uso na escrita e leitura dos cegos e o Código de Contrações e Abreviaturas Braille.

Direito ao passe livre – Os cidadãos com deficiência também possuem benefícios relacionados aos meios de transporte. A Lei 8.899/94, conhecida como Lei do Passe Livre, prevê que toda pessoa com deficiência tem direito ao transporte coletivo interestadual gratuito, e que cabe a cada estado ou município implantar programas similares ao Passe Livre para os transportes municipais e estaduais.

Lei Nº 8.989, de 24 de fevereiro de 1995 – Dispõe sobre a Isenção do Imposto sobre Produtos Industrializados – IPI, na aquisição de automóveis para utilização no transporte autônomo de passageiros, bem como por pessoas com deficiência física, e dá outras providências. (Redação dada pela Lei Nº 10.754, de 31.10.2003)

Lei Nº 10.754, de 31 de outubro de 2003 – Altera a Lei Nº 8.989, de 24 de fevereiro de 1995 que “dispõe sobre a isenção do Imposto Sobre Produtos Industrializados – IPI, na aquisição de automóveis para utilização no transporte autônomo de passageiros, bem como por pessoas com deficiência física e aos destinados ao transporte escolar, e dá outras providências”.

Pessoa com deficiência visual, usando uma bengalaLei Nº 11.126, de 27 de junho de 2005 – Dispõe sobre o direito da pessoa com deficiência visual de ingressar e permanecer em ambientes de uso coletivo acompanhado de cão-guia.

Lei Nº 12.319, de 1 de Setembro de 2010 – Regulamenta a profissão de Tradutor e Intérprete da Língua Brasileira de Sinais – LIBRAS.

Na página http://www.pessoacomdeficiencia.gov.br/app/legislacao , da Secretaria de Direitos Humanos da Presidência da República – SDH/PR, você ainda pode encontrar mais legislação relacionada às pessoas com deficiência.

Fonte: Guia “Pessoas com deficiência – direitos e deveres”, da Febraban



10 de setembro de 2017

Retruque com um sorriso, com otimismo e sarcasmo! É a melhor resposta!



Pessoas que não aceitam a Deficiência do seu filho não é um problema seu, e sim delas! Isso incomoda pessoas que se importam demais com aparência, que não sabem o que são valores e nem sentimentos e desconhece felicidade. Não entendem a que irradia em nossos filhos apesar de tantas coisas que passam! 
Eu aprendi fazer cara de nojo pra essas pessoas e responder com frases otimistas, sarcásticas, com um sorriso no rosto e saio. 
Retruque com um sorriso, com otimismo e sarcasmo! É a melhor resposta!
Esse tipo de pessoa perde o rebolado na hora!

(Adriana Silva)

3 de setembro de 2017

Ideias engessadas



São teorias errôneas e antigas que algumas pessoas tem sobre as Pessoas com Deficiência. Olham para essas pessoas como se fossem aberrações. Colocam rótulos, soltam frases como se o tempo não tivesse evoluído. Triste né? Mas real! Infelizmente esse tipo de atitude vem ainda de algumas pessoas.

Acham, pensam, falam e agem como se essas pessoas precisassem ser curadas. Soltam frases do tipo:

- Deus vai te curar!
- Quando uma pessoa nasce assim é por causa dos pecados dos pais!
- Deve ter sido obra de macumbaria ou é encosto! Leva na Igreja!

Fico chocada com essas ideias engessadas. Sinto pena de verdade de pessoas assim cheias de preconceitos equivocados que não se permitem evoluir ou entender o que há por trás de cada pessoa independente de qualquer coisa. Infelizmente uma parcela das pessoas se atentam mais para a aparência física do que qualquer outra coisa. Sei que não vou conseguir mudar essas cabeças, mas pra mim o que importa de verdade é o que penso e sinto sobre a minha filha.

Tenho certeza que se essas pessoas que acham tantas coisas olhassem para a vida de cada um de nós como um milagre, sentissem Deus em todas as coisas elas sentiriam mais e não se prenderiam a rótulos. Mas em mentes fechadas, nenhuma fresta de amor anda chegando, e abrem suas bocas com o coração cheio de palavras pesadas para dizer aquilo que acham sem se importar com ninguém porque a verdade dessas pessoas bastam.

Eu ficaria muito preocupada se eu pensasse igual à elas. Mas deixo falarem, pois a boca fala aquilo que o coração está cheio. 

Adriana


9 de agosto de 2017

Dando a cara para bater



Achei sensacional! Serve para todos os tempos onde as pessoas lançam a sua crueldade nas outras pessoas por serem " diferentes".

Adoro esse moço ele escreveu:

DANDO A CARA PARA BATER

Toda vez que eu apanhava na escola por ser diferente, por ser feio, por falar errado, por ser desengonçado, por não obedecer os padrões, o meu irmão mais velho passava mercúrio nos meus joelhos esfolados e soprava as feridas para não arder. Lembro que ele me dizia:
- Estou soprando as velas de aniversário de sua coragem!
De ferida a ferida, de cicatriz a cicatris, o preconceito ainda vai cansar de sangrar.

(Carpinejar)

7 de agosto de 2017

Limites , Rotinas e nossos filhos.

Limites e rotina são importantes a todo e qualquer ser humano. E por ter uma filha que é uma Pessoa com Deficiência Física muitas pessoas ao longo desses anos questionaram meus posicionamentos. Posicionamentos esses que acredito, que mantenho e que foram sempre apoiados por educadores, terapeutas e pessoas estudadas no assunto que me afirmam que estou agindo corretamente.

Embora algumas pessoas achem que dar limites à minha filha não pode, e já ouvi algumas me dizer:  - Ela não entende! Sempre rebato com outra pergunta: - Você sabe se realmente ela não entende? 

Não podemos afirmar até que ponto eles entendem, mas são capazes de saber diferenciar uma mudança de entonação de voz, uma fisionomia, e sabem sim que fizeram algo. Como podemos afirmar que sim ou não em algumas coisas? Nem sempre temos todas as respostas.

Reforço sempre a minha opinião: Limites e rotina são importantes. Aliás acho que andam juntos também. Não sou pedagoga, psicóloga nem entendida profundamente nesse área, mas sou uma pessoa que observa e ousa manter o que acredito dar certo. Não é porque a minha filha não anda que vou tratá-la como uma coitadinha e não dar uma bronca quando for preciso. Sei quando fazer isso de forma consciente. Respeito os limites dela, mas sei também que ela se aproveita de estar perto do pai por exemplo pra manipular ou fazer o que quer - pois todos os filhos tendem a fazer isso com o lado que é flexível demais. Acho que tudo é equilíbrio.

Não há problema algum sair da rotina alguns dias, pois acredito ser saudável. Nós que temos filhos com alguma deficiência sabemos que nenhum dia é igual. Há rotinas que mudam o dia, como uma ida ao médico, o final de semana acordar um pouco mais tarde, fazer algo diferente. Acredito que é de extrema importância informar aos nossos filhos o que eles vão fazer no dia de hoje. Não importa o grau de compreensão, não importa que achem que ele não entendem. A informação dá segurança e com isso eles vão assimilando por acontecimentos e fazendo associação. Hoje não teve aula: É sábado ou domingo por perceberem uma rotina diferente mesmo se não souberem ou não puderem verbalizar.

Limites e rotinas fazem parte da nossa vida. São essenciais a todos nós. Com eles sabemos como nos portar em sociedade, dentro da nossa casa, como ser e estar. É importante para a nossa organização e a nossa relação com o tempo.

Adriana Silva

28 de junho de 2017

Texto de uma mãe especial para os fanáticos religiosos que não aceitam a condição do meu filho

Não precisa vir me consolar. Não estou de luto. Meu filho está vivo e celebro a vida dele todos os dias.
Não venha me falar que não acredito em Deus o suficiente porque não vou na sua igreja. Se você entendesse a essência de Deus realmente saberia que ELE não deixa de estar em uma pessoa por sua condição física. Deus está no coração e não na religião.
Não justifique a " doença" do meu filho (é assim que você a define) como obra maligna ou resultado de macumbaria na vida dele. Você sequer sabe o que ele passou. 
Não venha me dizer que ele vai ser curado de algo. A cura pra você seria o sorriso dele e isso você não tem capacidade de entender.
Não tenho culpa que você é raso e não sabe interpretar a profundidade do meu filho e o sentido que ele tem na minha vida. Você não entende porque só olha com os olhos de julgamento e não os olhos de amor. Olhos de julgamento só sabem dizer o que é certo e errado, o que deveria ser feito e de não aceitar o que ele é.
Entenda que você é deficiente de amor, e enquanto você não se tocar disso, Deus nunca fará a diferença na sua vida, não estará em suas atitudes, pensamentos e nem sentimentos.
Aprenda que quem o carrega sou eu! Pode ser difícil, mas eu o amo. É é com olhos de amor que faço tudo por ele sem reclamar, reconhecendo a dádiva que é tê-lo em minha vida. Desculpa se você não entende isso e ache que para acreditar em Deus temos que achar que as pessoas não possam ter limitações físicas.
Pra mim você é descrente. Pois é incapaz de aceitar alguém que seja diferente de você. Pra mim você não faz diferença, e só lamento por não aprender ter um décimo da sua Bíblia em suas atitudes. Os versículos que você profere não fazem sentido pois você não pratica em momento algum.
Se acha que estou sendo dura, não se esqueça: Quem fala o que quer, ouve o que não quer. Ame mais, e pare de vomitar suas ignorâncias nos nossos ouvidos. Na dúvida fique em silêncio. Não somos obrigadas a ouvir tanta besteira!

(Adriana)

3 de fevereiro de 2017

O mundo nas costas

Às vezes eu esmoreço. Parece-me que carrego o mundo nas costas. Então, tomo de uma mão espalmada na tela do computador e puxo-a para baixo com o intuito de fechá-la. Jogo o corpo, em sua razão de ser apenas corpo, na poltrona e fecho os olhos. Com um pouco de sorte talvez tire um cochilo. Mas quando essa benevolência não me ocorre, lembro-me do testemunho de uma senhora que sobreviveu a um naufrágio. Os outros sobreviventes, vendo a sua calma, perguntaram-na como conseguiu manter-se tão serena. Ao que ela respondeu: “Deus me deu dois filhos. Um está no céu e o outro na Terra. Então seja para onde eu for, estarei metade triste e metade feliz. Para que me preocupar?”.

Daí me recordo de Dalai Lama, ainda menino, dizendo que se um problema tem solução não devemos nos preocupar. Certo, Dalai, mas a gente sempre acha que o problema da vez não tem solução. Nesse momento Guimarães Rosa sussurra em meus ouvidos que é só aos poucos que o escuro se torna claro. Assim, me dou conta de que passei um bom tempo formulando pensamentos alheios acerca da ‘dor’, pelo simples fato de (lá vou eu de novo) como diz Drummond, “a dor é inevitável, o sofrimento não”. E é assim, pensando na dores fraseadas dos outros que eu esqueço as minhas próprias dores.

Levanto, bebo água enquanto olho, através da janela do 9º andar, um rapaz cabisbaixo que atravessa a faixa de pedestre, não sei o que lhe pesa mais: se mochila que carrega nas costas ou o pés cansados. Vislumbro o cadeirante que pede esmolas entre os carros e lembro de que outro dia lhe ofereci ajuda com a sacola de compras que despencara no chão: “sou cadeirante, moça, não inválido. Vivo e faço tudo sozinho” – Disse-me ele descendo com destreza da cadeira e juntando as laranjas espalhadas. Senti um nó na garganta, um não sei o quê. Achei-o grosseiro, mas ao mesmo tempo corajoso. Ele se conhece, ele sabe superar-se, ele não tem medo de dizer o que pensa, ele acredita em sua força… Ah, sim, ele é melhor do que eu que tento carregar o mundo nas costas por não ter coragem de dizer o que penso sobre determinadas situações, por cerrar os dentes num riso quadrado e afirmativo de um “tudo bem” quando na verdade gostaria de verbalizar um generoso “foda-se”. 

Mas isso é questão de natureza. Acho. Pois eu tenho essa natureza de pedir desculpas mesmo quando penso que não estou errada só para que tudo fique em paz. Com isso termino por não ser eu mesma. Será que a gente aprende a ser autêntico? E deixar de ser esse “eu” inautêntico que se adapta a tudo e a todos?

Observar os exemplos deve ser um jeito de aprender e se encorajar a não mover montanhas por coisas e/ou pessoas que não nos reconhecem como “portadores da necessidade especial de seu devido e justo valor”. Enquanto pensava em tudo isso, despejei no copo mais um bocado de água. Quantos minutos se passaram desde que eu me levantei do sofá e vim tomar água? Uns dois? Minha vida inteira se espreme em dois minutos. Mas como ela é eterna. Outro gole e outra olhada no cadeirante: ele está assobiando “Patience” de Guns N’ Roses  – ele faz isso todos os dias. Todos os dias, desde que eu me lembre.  A água não é mesmo a coisa mais preciosa da Terra? Quando volto ao computador, estou rediviva.

Clara Dawn


10 de janeiro de 2017

Ideias pré estabelecidas.

Estamos vivendo em um mundo em que as pessoas não ouvem. Elas pensam, e pensam muito... Está faltando ouvir e sentir...Falar e pensar é absolutamente fácil, e dentro de algumas há uma preguiça enorme de ouvir. Elas mal ouvem e já dentro de suas cabeças estão as ideias pré estabelecidas, os rótulos, os ideais e muitas vezes acredite: Nem é aquilo que realmente pensam. Se apegam em crenças do passado, em coisas que ouviram, viram, leram, e jamais se apegam à um sentir e ouvir, e tentar pensar por si só.

Outro dia eu falei algo e a pessoa dentro da mente dela já achava algo, e ela mesma completou a frase - e sei que na maioria das vezes as pessoas querem mesmo encurtar conversas e encaixotar em sua mente aquilo que elas querem. Eu, terminei a frase que era o oposto do que ela completou, aí pensei comigo: As pessoas não ouvem, elas são surdas, elas falam, querem ser ouvidas, aceitas em suas ideias, mas não querem sentir nem ouvir. Há uma alienação em outra parte da sociedade em que exterminaram as conversas e os sentimentos grudados a um celular, e por aí vai a imbecilidade humana.

Precisamos sim de tecnologia, eu não vou ser hipócrita a dizer que não pois preciso dela pra escrever nos nossos blogs. Mas acho cansativo e me esgota o fato de apenas pensar em ser escrava dessa grande massa em que tudo se compartilha, tudo se conta, e nada se diz. Acho que é válido usar tudo para o seu bem e para o bem dos outros, e também acho que se as pessoas querem viver assim, ótimo para elas. Mas eu não me encaixo nisso, sou avessa a aplicativos de conversas, sei lá, eu sou prática pra mim a utilidade é outra. Me cansa aquele abarrotado de mensagens. Pra mim seria só pra saber se está tudo bem ou uma necessidade de um recado rápido.

Veja bem, não estou condenando! Cada um sabe de si. Apenas não me encaixo na maioria. Quando conheci a internet existia conversa por e-mail e isso hoje é fora de moda, brega, antigo e tal. Hoje se eu mando um e-mail, uma mensagem as pessoas sequer leem, e quando leem nem respondem. Até as postagens que coloco em minha rede social uma ou duas leem porque para elas é importante. A maioria compartilha sem ler, curte sem sequer clicar no link da postagem. Hoje, as pessoas estão preguiçosas, e o que elas leem são aqueles cartões com algo escrito com ou sem imagem. As comunidades do facebook viraram uma coisa só, sem novidade, sem toque pessoal, tudo automatizado e cópias umas das outras.

Está faltando originalidade, ouvidos atentos, palavras sentimentais, entendimento, compreensão... Está faltando as pessoas se colocarem mais na posição de platéia do que apresentador, pois apresentar a própria vida e querer todos holofotes voltados pra si é fácil. Quero ver é ir para a plateia e aguentar aplaudir alguém que esteja no auge do sucesso ou ir lá correndo abraçar vendo derramar suas lágrimas. As pessoas rotulam mesmo com suas ideias que rotulam os outros, e afirmam quando veem pessoas felizes com aquela cara de nojo: Tá vendo? Metido(a)! E quando a pessoa está na pior com aquela cara sem paciência: Tá vendo? O depressivo! E a verdade que não quer calar é que as pessoas só sabem criticar todo mundo e ninguém tem capacidade de ajudar, se colocar no lugar do outro ou comemorar a conquista do próximo. E depois vem me dizer que acredita em Deus. Quem é o seu próximo mesmo? 

Vamos parar de julgar, e com achismos bobos em relação às Pessoas com Necessidades Especiais por exemplo. Não pode falar algo de bom? Então não fale nada! Não pode ouvir e sentir? Então também não ache e nem pense o pior. Acredito também que as pessoas fazem e falam aquilo que seu coração está cheio. Ao mesmo tempo que ouço coisas negativas, tenho muito mais ouvidos para as positivas, espaço para pessoas que acrescentam.

Na hora de ajudar ninguém aparece...Então, não deixe o mundo negativo dos outros invadir o seu.

(Adriana Silva)