20 de setembro de 2016

Como descrever nossos filhos? Como as pessoas os descrevem?

Algumas pessoas falam com as mães como se elas tivessem que ter um manual de saber o porque o filho está fazendo determinada coisa. Cada filho é diferente ele vai mudar e nem sempre saberá expressar, mas uma hora vamos conseguir decifrar. Não existe regra pra isso ou para aquilo, filhos são diferentes uns dos outros. 
Algumas pessoas por inabilidade ou falta de conhecimento olham como se fossem seres de outro mundo. Querem respostas, querem entender compreender e explicar a personalidade deles com apenas um olhar, uma impressão, alguns meses de convívio ou anos.

Nem sempre isso é possível. Poucas pessoas são capazes de descrever a personalidade deles com exatidão. É um olhar amplo, um observatório com doses de amor, cumplicidade e de verdade. Não adianta ter pressa para entender pois muitas vezes as pessoas se deixam envolver por teorias e essas devem ser abandonadas e dar lugar ao sentir e ver o outro e nem todas as pessoas querem esperar para isso. Precisam preencher relatórios com suas observações - nem sempre verdadeiras, e em outras nem nós mães conseguimos tirar o véu do otimismo e dar lugar à realidade dos fatos. Eu aprendi a ser razão, mas não deixar ela me dominar a ponto de ver a minha filha apenas como um diagnóstico ou vários deles. Eu equilibro com o meu jeito amoroso de ver as coisas, sem tirar o pé da realidade.

Se você fizer a experiência de pedir para uma pessoa definir o seu filho com base no que ele é de fato poucas pessoas conseguirão fazer. Algumas relatarão na parte fria da coisa - como diagnóstico, paciente, pontos negativos e positivos, e outros relatarão a parte lúdica dizendo que são guerreiros, felizes e sorridentes. A percepção da personalidade é algo bem mais amplo que apenas pessoas que se permitem ver e entender esses pontos. Nem sempre conseguimos entender algumas coisas neles, mas que outras saberão e o contrário também vai acontecer: Muitas vão dizer com toda a certeza do mundo, definir e estarão totalmente equivocados. 

Algumas vezes as respostas não são imediatas. Precisamos interpretar, entender, observar por dias, meses, anos. Isso é uma escola... Não podemos sentir por eles, só eles sabem como é estar dentro deles mesmos. E por mais que nós nos sentimos parte deles, há coisas que só eles poderão nos mostrar ou não e à todas as pessoas envolvidas na vida deles. Nem sempre teremos respostas , mas em outras sim. Eles mudam, e nós devemos nos adequar senão ficaremos ultrapassadas, chatas e mesquinhas. Temos que permitir que eles cresçam, escolham, explorem, aprendam e que tenham oportunidades diferentes dentro das possibilidades ou do contexto clínico. 

(Adriana Silva)



Nenhum comentário:

Postar um comentário