26 de agosto de 2016

E daí se eu chorar? Posso ser fraca, posso ser forte, posso ser humana...


Diante dos desafios da vida, cada um de nós temos as nossas reações. Costumo rir quando alguém diz que sou forte, e que todas nós mães especiais somos fortes.
O sinal mais claro que estamos sendo fortes demais e falhando é quando desmoronamos por carregar o mundo inteiro nas costas. Percebemos que nesse momento dificilmente farão o mesmo conosco, e sempre dirão: Você é forte, você é guerreira.
Mas não é bem assim.

A nossa casca de super mulheres, dotadas de super poderes é por fora. Por dentro, temos sentimentos, fragilidades, dores, tristezas e por fim lágrimas.
Quantas vezes tudo estava tão insuportável que choramos sozinhas e caladas, no escuro do quarto molhando o travesseiro quando assim pudéssemos descansar um pouco o nosso corpo?

A nossa alma emocional grita e ninguém nos ouve. Não há uma preocupação, não há uma importância, uma dedicação em haver cuidados aos cuidadores. Somos pessoas que com o passar do tempo de tanto cuidar das pessoas precisamos de cuidados também. Vamos adquirindo problemas de saúde (físicas e emocionais), e nem percebemos. Eu diria, que de minha parte essa é a parte mais difícil. As rotinas, afazeres não são nada comparados ao massacre emocional que suportamos. O quanto olham de forma errada para nós como se fossemos máquinas ambulantes e perfeitas. E quando erramos: Ah não pode! Não pode errar! Olha que horror! Mãe não pode errar!
E daí se eu chorar? E daí se eu reclamar? E daí se eu for fraca? E daí? Alguém vai ficar no meu lugar para sentir o que eu sinto? 

Sim! Temos exemplos de superações e vida conosco e nos espelhamos neles. É por eles que sorrimos mesmo morrendo de dor! Sim, somos fortes, guerreiras, mães, enfermeiras, médicas, cozinheiras, e tantas outras coisas. Mas somos mulheres com sentimentos, que precisam de atenção,cuidado, e principalmente: Respeito! Somos de carne e osso, e ainda assim somos tratadas como se fosse de lata. Não somos máquinas que você aperta um botão e vai sorrir, e vai superar e vai seguir. Há momentos que precisamos parar, chorar, gritar, sofrer, respirar. Há momentos que precisamos viver!

Posso ser o que eu quiser eu vou aprender errando, eu vou amadurecer olhando para os momentos em que não soube ser melhor do que deveria para mim mesma e para os outros. Eu posso sim me cansar, fazer um drama danado, eu posso! Sabe porque? Sou humana, e não tenho obrigação alguma de beirar a perfeição e beirar a loucura de remoer e não soltar o que eu sinto! Já escutei pessoas me dizendo que não tinham tempo para sentir qualquer coisa que fosse, mediante a dedicação e correria. Mentira! Todo mundo sente, e reprime. 

Às vezes somos pessoas sensatas dentro de uma jaula e para os outros isso é loucura. Loucura é viver na prisão do perfeccionismo que não existe, do exibicionismo falso que se é melhor em tudo. O que posso dizer de mim é que faço o meu melhor em tudo. Seria louca se dissesse que acerto sempre, que sou impecável em tudo. Não sou. Ninguém é. Não devo ser. Nasci para ser livre até na minha clausura e não ser presa na liberdade falsa do egocentrismo onde tudo é perfeitinho, cor de rosa lindo e maravilhoso. A diferença é enxergar o que é paz, e estar   com ela dentro de si. Fazer o que é necessário e não aceitar críticas de quem não calça os nossos sapatos. 

Se tivermos de ser perfeitas em algo, que seja na forma de amar. 

Adriana Silva 

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