31 de agosto de 2016

120 histórias infantis em áudio para baixar gratuitamente



Para fazer o download dos áudios, basta acessar o link acima.

27 de agosto de 2016

Tudo é aprendizado

Sempre fazemos atividades em casa, e mesmo afastada da escola, mandam uma pasta com atividades para fazermos, então trabalhamos com papel, cola, giz de cera, e tudo o que faço e coloco a mão dela para ajudar vou explicando. Por exemplo, recortar as letras e formar o nome dela; preencher espaços com bolinhas de papel, pintar. Sei que ela não vai sair lendo o nome dela, mas ela vai ter uma memória e um aprendizado do que foi feito. E ela me dá resposta daquilo que ela viveu, ela sorri, se diverte e entende. Quando começamos a colar as letras do nome dela, ela sabe que Jaqueline é o seu nome. Na pintura, comecei a pegar na mão dela e dizer: Tudo azul, vamos pintar tudo de azul. Ela sorria e se divertia. Quando acabamos, ela repetia aquela frase. 

Não adianta dar um monte de informações em que a criança não dará conta. Ela vai pegar as informações que são compreensíveis à ela. Como uma cor, um momento, um sentimento, uma diversão, associar uma música. Sempre conversei com ela à respeito de tudo que ela vai fazer ou para onde vai para não ficar no automático. Ela tem reações, ansiedades, e acho isso muito bom porque é uma resposta de que ela do modo dela compreende e entende o que está se passando. Não consigo fazer algo ou ir à um lugar sem explicar à ela o que está fazendo ou indo. Essa coisa de suspense não é boa, e a fisionomia dela muda totalmente quando reconhece os lugares. 

Sei dos pontos fortes dela e procuro trabalhar isso no dia a dia. Em tudo que fazemos tem uma "aula" e tenho um retorno muito positivo disso. Nunca dou um banho nela muda por exemplo. Sempre conversando, cantando, falando sobre as partes do corpo. Assim como em todas as atividades. Sempre explicando. Quando saímos na rua, ela passa por uma árvore e diz: Olha a árvore e imita os passarinhos. E quando os ouve ela sorri, imita, olha para o céu, ou procura escutar de onde vem aquele som. Conhece a movimentação dos carros, e tudo à ela é uma informação que não passa desapercebida. 
Sempre exploro a parte lúdica que é o que ela gosta. E uma coisa puxa a outra. Tudo é aprendizado.

(Adriana Silva)




26 de agosto de 2016

E daí se eu chorar? Posso ser fraca, posso ser forte, posso ser humana...


Diante dos desafios da vida, cada um de nós temos as nossas reações. Costumo rir quando alguém diz que sou forte, e que todas nós mães especiais somos fortes.
O sinal mais claro que estamos sendo fortes demais e falhando é quando desmoronamos por carregar o mundo inteiro nas costas. Percebemos que nesse momento dificilmente farão o mesmo conosco, e sempre dirão: Você é forte, você é guerreira.
Mas não é bem assim.

A nossa casca de super mulheres, dotadas de super poderes é por fora. Por dentro, temos sentimentos, fragilidades, dores, tristezas e por fim lágrimas.
Quantas vezes tudo estava tão insuportável que choramos sozinhas e caladas, no escuro do quarto molhando o travesseiro quando assim pudéssemos descansar um pouco o nosso corpo?

A nossa alma emocional grita e ninguém nos ouve. Não há uma preocupação, não há uma importância, uma dedicação em haver cuidados aos cuidadores. Somos pessoas que com o passar do tempo de tanto cuidar das pessoas precisamos de cuidados também. Vamos adquirindo problemas de saúde (físicas e emocionais), e nem percebemos. Eu diria, que de minha parte essa é a parte mais difícil. As rotinas, afazeres não são nada comparados ao massacre emocional que suportamos. O quanto olham de forma errada para nós como se fossemos máquinas ambulantes e perfeitas. E quando erramos: Ah não pode! Não pode errar! Olha que horror! Mãe não pode errar!
E daí se eu chorar? E daí se eu reclamar? E daí se eu for fraca? E daí? Alguém vai ficar no meu lugar para sentir o que eu sinto? 

Sim! Temos exemplos de superações e vida conosco e nos espelhamos neles. É por eles que sorrimos mesmo morrendo de dor! Sim, somos fortes, guerreiras, mães, enfermeiras, médicas, cozinheiras, e tantas outras coisas. Mas somos mulheres com sentimentos, que precisam de atenção,cuidado, e principalmente: Respeito! Somos de carne e osso, e ainda assim somos tratadas como se fosse de lata. Não somos máquinas que você aperta um botão e vai sorrir, e vai superar e vai seguir. Há momentos que precisamos parar, chorar, gritar, sofrer, respirar. Há momentos que precisamos viver!

Posso ser o que eu quiser eu vou aprender errando, eu vou amadurecer olhando para os momentos em que não soube ser melhor do que deveria para mim mesma e para os outros. Eu posso sim me cansar, fazer um drama danado, eu posso! Sabe porque? Sou humana, e não tenho obrigação alguma de beirar a perfeição e beirar a loucura de remoer e não soltar o que eu sinto! Já escutei pessoas me dizendo que não tinham tempo para sentir qualquer coisa que fosse, mediante a dedicação e correria. Mentira! Todo mundo sente, e reprime. 

Às vezes somos pessoas sensatas dentro de uma jaula e para os outros isso é loucura. Loucura é viver na prisão do perfeccionismo que não existe, do exibicionismo falso que se é melhor em tudo. O que posso dizer de mim é que faço o meu melhor em tudo. Seria louca se dissesse que acerto sempre, que sou impecável em tudo. Não sou. Ninguém é. Não devo ser. Nasci para ser livre até na minha clausura e não ser presa na liberdade falsa do egocentrismo onde tudo é perfeitinho, cor de rosa lindo e maravilhoso. A diferença é enxergar o que é paz, e estar   com ela dentro de si. Fazer o que é necessário e não aceitar críticas de quem não calça os nossos sapatos. 

Se tivermos de ser perfeitas em algo, que seja na forma de amar. 

Adriana Silva 

10 de agosto de 2016

ESTÁ ABERTA A CONSULTA PÚBLICA PARA REGULAMENTAÇÃO DA LEI BRASILEIRA DE INCLUSÃO NO MUNICÍPIO DE SÃO PAULO


Está aberta a consulta pública do decreto que regulamentará a Lei Brasileira de Inclusão na cidade.

Interessados em contribuir com as ações e propostas previstas terão até dia 10 de setembro para apresentar comentários e sugestões, que poderão inclusive ser enviados em Libras.

As ações previstas tratam de temas como educação, saúde, assistência social, mobilidade urbana, esportes, lazer e outros.Estão previstas a garantia sistema educacional inclusivo, a oferta de atividades esportivas adaptadas à participação da pessoa com deficiência nos clubes-escolas, a acessibilidade universal nas unidades de saúde, museus e demais equipamentos municipais, a ampliação do serviço de residência inclusiva para pessoas em situação de dependência, a garantia de acessibilidade arquitetônica e comunicacional em eventos promovidos, financiados ou em parcerias com a Administração Pública Municipal, o acompanhamento dos processos seletivos públicos ou privados na contratação de pessoas com deficiência, bem como das condições no ambiente de trabalho, acessibilidade em todos os ônibus, terminais e paradas, reserva de 10% de táxis acessíveis nas frotas, bem como na outorga de alvarás para pessoas com deficiência.


Saiba mais em:

http://saopauloaberta.prefeitura.sp.gov.br/index.php/noticia/esta-aberta-consulta-publica-para-a-regulamentacao-da-lei-brasileira-de-inclusao-no-municipio-de-sao-paulo/

4 de agosto de 2016

Profissionais discordando de Profissionais

Pacientes sempre ficam no meio de um cabo de guerra quando um profissional discorda do outro. Vou citar aqui situações que passamos e que sempre nos prejudicam. Acredito que muitas pessoas possam se identificar, pois isso é mais comum do que se imagina. O que desgasta não é o atendimento, e sim os conflitos de informações, os erros constantes e particularmente sempre acontecem num determinado setor onde passamos. Já reclamei e sempre estou reclamando até acertarem. Por mais que falhas sejam normais em todo lugar, o atendimento só melhora com o nosso posicionamento. Por isso eu não faço consulta com pressa. Pergunto tudo mesmo, só saio quando me foi respondido tudo e eu passei tudo que precisava, quando confiro se está tudo em ordem. 
Sei que a Residência Médica não é fácil, mas ninguém se torna médico sem pacientes. Seria maravilhoso se nenhum de nós precisasse. Não adianta emitir guias, receitas, e não ouvi-los, e se não me ouvir, não saio do consultório. Enquanto esse Setor não se acertar vou reclamar, pois estamos há quase 17 anos ali e nunca tivemos tantos problemas como lá! E é uma pena, porque é um setor relativamente mais simples em relação à outros, e médicas chefes maravilhosas. Muitas vezes nos deparamos com atendentes amáveis e outros sem educação e se portam como se não existíamos. Sempre procuro a Ouvidoria. Sempre formalizo reclamação. Coloco meu telefone e e-mail e tenho retorno deles.

Foram várias situações. Emissão de receita de medicamento com dose errada (que inclusive se eu não tivesse percebido e dado à minha filha ela poderia ter desmaiado); Marcaram uma Ressonância Magnética e esqueceram que ela tem uma haste na coluna e não pode entrar com metal na máquina (e avisei à anestesista que cancelou o exame e fez uma carta relatando o ocorrido); Pedido de exame que não seria possível realizar, e mesmo com a carta do local pediram novamente e fiquei rodando pra marcar e tive a mesma resposta; Falta de dados da consulta anterior e de dados disponíveis (e ainda bem que eu sempre sei informar tudo e tenho anotado em agenda). Quantas vezes o prontuário não estava disponível, ou o médico que a atendeu colocou o papel não se sabe onde, e o que salvou foram as minhas anotações?
Na última situação, eu não consegui marcar um exame porque a pessoa me dizia que a guia estava errada e tinha que ao invés de pedir com sedação tinha que pedir com anestesia. Levei o caso à médica: - Olha, eu não consegui fazer o exame nela porque a guia estava errada segundo a pessoa que marca.

Aí a médica disse: - Sedação e anestesia são a mesma coisa! 
Eu disse: - Pois é, vocês precisam entrar em um acordo! Se a pessoa disse que só marca o exame daquela forma, deveriam ter pedido, mas de qualquer forma não daria para o exame ficar pronto a tempo dessa consulta. O aparelho quebrou 2 dias do exame e as agendas estão lotadas, e quando fui remarcar a pessoa que marca dizendo que a guia estava errada e vcs dizendo que estava correta. Eu não sei os requisitos para se aprovar uma guia, mas agora sabendo não deixo mais vcs marcarem com sedação. Além disso, tenho que ficar de olho se fazem pedido de exame de urina com Sonda Vesical de alívio, se colocaram as etiquetas nos papéis, se assinaram e carimbaram porque já houveram médicos que erraram nisso e a gente que se lasca. Eu tenho que falar tudo? Porque não prestam mais atenção no paciente?

Alguns precisam prestar mais atenção. Se não dá pra fazer o tal exame não vou fazer e pronto. Se errarem, vai acontecer isso: Não vai ser feito e vão ter que corrigir!
O profissional tem que ser prestativo, ter paciência, amor e disciplina, e nós mães estamos tão cansadas e ainda temos que prestar atenção em coisas que são deveres dos médicos. Deve haver respeito, e não expor o paciente e seu acompanhante ao ridículo de ficar igual bobo rodando no hospital. Ainda mais no caso de uma cadeirante que tem uma haste na coluna e fica cansada mais facilmente. Isso é falta de consideração.


Hoje, eu não esquento mais a cabeça. Há erros que a gente até deixa passar, porque ninguém é perfeito, mas erros recorrentes e que prejudicam não fico quieta. Vejo vários pacientes batendo em porta de médico porque tem que fazer outra guia, ou assinar, ou carimbar. Acho um absurdo, mas hoje em dia fico atenta em dobro. Em exames que não conheço, não sei o procedimento. Mas se sei, fico esperta.
Essa discordância prejudica o paciente. Acho que não devemos ficar quietos, temos que reclamar, indagar, conferir, pois já passamos por tantas coisas e ter mais essa para aguentar? Sei que a saúde no País não é exemplo, mas o local que passo é ótimo comparando com outros , diante das esperas, da falta de profissionalismo.

Adriana Silva

1 de agosto de 2016

Manual de Diagnóstico e Tratamento das Epilepsias na Infância - Dr Paulo Liberalesso

Clique nas fotos para ver em tamanho legível.



















Créditos : Dr Paulo Liberalesso

Epilepsia: Derrubando Mitos e Estigmas - Dr Paulo Liberalesso

A história da epilepsia é longa assim como são numerosas as crenças e superstições a ela relacionadas. Não se sabe com certeza de quando data a primeira descrição sobre crises epilépticas, mas provavelmente de 2.000 ou 3.000 anos a.C., sendo atribuída aos Sumérios.

Os romanos acreditavam que a influência dos astros celestes, em particular da lua, era de fundamental importância para determinar quem desenvolveria epilepsia, e por esse motivo, estes indivíduos na Roma Clássica eram chamados “lunáticos”. Na mesma época, os romanos acreditavam também que a epilepsia era uma doença contagiosa e que os doentes deveriam ser mantidos em locais afastados com o objetivo de proteger a população geral. Frequentemente, estas pessoas eram impedidas de entrar em templos e igrejas sob a justificativa de que poderiam “profanar e contaminar” aquele lugar santo.

Na Grécia Antiga, acreditava-se que pessoas com epilepsia eram fruto de “possessões divinas” sendo, por vezes, veneradas em templos sagrados. Nessa época os gregos referiam-se à epilepsia como “morbus sacer” (doença sagrada). Por outro lado, na Idade Média, acreditava-se que as crises epilépticas eram provocadas por possessões demoníacas ou por forças sobrenaturais malignas que subitamente se apoderavam do corpo e da mente do indivíduo, sendo a doença conhecida como “morbus demoniacus” (doença do demônio).

Foi Hipócrates (Cós, 460 a.C. – Tessália, 377 a.C.), pai da medicina, o primeiro a afirmar que a origem das crises epilépticas não mantinha nenhuma relação com possessões divinas ou demoníacas, assim como não tinha relação com qualquer crença sobrenatural. Mesmo muito contestado por seus pares na época, Hipócrates afirmou que a epilepsia era uma doença física de origem cerebral.

O termo epilepsia foi criado pelos gregos, significando ipsis literi “surpresa”, uma vez que as crises epilépticas têm como característica fundamental ocorrer sempre de forma súbita e inesperada.

Embora a epilepsia seja uma doença de ocorrência mundial, independente de sexo, raça, idade e condição social, sabidamente países em desenvolvimento (como o Brasil) apresentam incidência mais alta quando comparados aos países desenvolvidos. Dados recentes apontam incidência nos Estados Unidos e alguns países da Europa ao redor de 40 a 50 casos de epilepsia em cada 100.000 habitantes por ano. Mesmo sem dados precisos, estima-se que em países com condições sócio-econômicas semelhantes as do Brasil a incidência esteja em torno de 130 a 190 casos para cada 100.000 habitantes por ano. Estes números demonstram que a epilepsia é a mais frequente de todas as doenças neurológicas crônicas graves.

Do ponto de vista social a epilepsia é considerada uma doença de grande importância por sua elevada incidência. Embora estime-se que economicamente esta doença represente significativo impacto aos doentes e ao governo, não temos dados brasileiros confiáveis sobre os custos diretos (gastos diretamente relacionados com a doença, como medicamentos, consultas médicas, gastos hospitalares) e indiretos (redução da produtividade no trabalho, diminuição na expectativa de vida, aumento de aposentadorias precoces) relacionados a esta doença.

Convivendo diariamente com pacientes, adultos e crianças, com epilepsia percebemos que o maior problema enfrentado por estas pessoas é a falta de informações de boa qualidade. Velhas e falsas crenças a respeito da origem da doença, do diagnóstico e do tratamento permanecem até os dias atuais. A seguir vamos citar algumas das mais frequentes dúvidas que ouvimos praticamente todos os dias no consultório de neurologia.

Epilepsia é uma doença transmissível?

Absolutamente não. A epilepsia é uma doença provocada por uma disfunção elétrica no cérebro, podendo decorrer de alterações genéticas ou de lesões cerebrais ocorridas em qualquer momento da vida como, por exemplo, após traumatismos cranianos graves, meningites ou tumores cerebrais.

É comum pessoas morrerem durante uma crise epiléptica?

Não, é raro que alguém morra durante uma crise epiléptica. A maior parte dos indivíduos que morre nesta circunstância não morre devido diretamente à crise e sim pelas complicações relacionadas a ela como, por exemplo, no caso de acidentes com queda de altura, atropelamento, afogamento etc. É claro que crises epilépticas muito prolongadas, particularmente aquelas com duração superior a 30 minutos, podem provocar danos cerebrais graves e irreversíveis, mas mesmo nestes casos é pouco frequente que cheguem a provocar a morte.

Pessoas em crise convulsiva podem “engolir a língua” e se asfixiar?

Este é provavelmente um dos principais mitos relacionados à epilepsia. A língua é um músculo de nosso corpo como outro qualquer e, assim como os demais músculos se contraem durante uma convulsão, o mesmo vai ocorrer com a língua dando a impressão que o paciente está “engolindo a língua”. Contudo, este músculo está firmemente preso ao assoalho da boca e não se soltará jamais durante uma crise. Por esse motivo, é absolutamente contra-indicado puxar a língua do paciente para fora durante uma crise, assim como também não se deve jamais introduzir qualquer objeto e nem água na boca do paciente neste momento.

O que é disritmia cerebral?

Este termo foi introduzido entre as décadas de 1920 e 1930 na Europa e nos Estados Unidos como sinônimo de epilepsia, com o objetivo de evitar o uso do termo “epilepsia”, pois naquela época esta era considerada uma doença estigmatizante. Contudo, com o passar dos anos, o termo “disritmia cerebral” foi se descaracterizando e passou-se a utilizá-lo como referência a uma série de outras doenças que não a epilepsia. Atualmente, o termo “disritmia cerebral” perdeu completamente seu sentido original, não devendo mais ser utilizado.

Pessoas com epilepsia podem fazer exercícios?

Sim, pessoas portadoras de epilepsia com suas crises controladas podem realizar exercícios físicos de qualquer natureza. As exceções são os esportes de altura (asa delta, alpinismo, montanhismo, pára-quedismo, ginástica olímpica) e os esportes aquáticos em ambientes abertos (rios, lagos, mar) devido os riscos evidentes de se ter uma crise convulsiva nestas circunstâncias. Natação em piscina e sob a supervisão de alguém apto a socorrer se necessário é liberada para crianças e adultos epilépticos. Crianças com epilepsia controlada podem e devem ser estimuladas a participar das aulas regulares de educação física nas escolas.

Gardenal deve ser evitado, pois é um medicamento “muito forte”?

Não existem medicamentos para epilepsia fortes e outros fracos. Para cada tipo de crise epiléptica há um medicamento mais indicado. Quanto ao Gardenal, ele continua sendo a medicação para epilepsia mais utilizada em todo o mundo. Por ser um medicamento desenvolvido há muitos anos, suas propriedades farmacológicas e seus efeitos colaterais são bem conhecidos por todos os médicos o que aumenta muito a segurança de seu uso. Além de ser um medicamento altamente eficaz no controle das convulsões, o Gardenal tem baixo custo, o que é um fator muito importante nos países em desenvolvimento como o Brasil. Nas crianças pequenas, sobretudo naquelas com menos de 1 ano de idade, o Gardenal é, na grande maioria das vezes, o medicamento mais indicado para o tratamento das convulsões. Em crianças com crises convulsivas febris o Gardenal continua sendo a medicação antiepiléptica mais utilizada.

Pessoas com epilepsia sempre tem algum problema mental?

Não, a epilepsia não tem necessariamente associação com problemas mentais, psiquiátricos ou comprometimento da inteligência. É claro alguns indivíduos, principalmente as crianças com doenças neurológicas graves como a paralisia cerebral e malformações cerebrais extensas, podem ter associadamente epilepsia e desordens psiquiátricas, mentais e rebaixamento intelectual. Mas essa não é a regra, pois a maior parte dos indivíduos epilépticos são mentalmente normais.

Pessoas com epilepsia podem dirigir?

Em muitos países do mundo, inclusive no Brasil, já há regulamentação a respeito desse assunto. Embora ainda seja tema polêmico, alguns critérios devem ser considerados no momento de conceder a habilitação para condução de veículos nestes casos. Inicialmente, é importante que as crises epilépticas estejam plenamente controladas, que o paciente esteja fazendo uso regular da medicação antiepiléptica e que haja um parecer favorável do médico que assiste o paciente. Estatísticas internacionais demonstram que, obedecendo a estes critérios, o risco de um indivíduo epiléptico envolver-se em um acidente com veículo automotor devido uma crise convulsiva é muito pequeno. Casos especiais devem ser analisados individualmente como, por exemplo, a concessão da habilitação para conduzir veículos não considerados de passeio, como máquinas de maior porte e veículos de transporte de passageiros. A habilitação para motoristas profissionais também constitui um caso especial, sendo proibida em muitos países.
Por fim, é muito importante que indivíduos com epilepsia e seus familiares informem-se o máximo possível a respeito da doença. A informação de boa qualidade, além de facilitar a compreensão da doença, diminui o preconceito.

Dr. Paulo Breno Noronha Liberalesso

Quando tudo parece estar perdido...

Semana retrasada, estava eu muito preocupada com as dificuldades financeiras que temos atravessado não muito diferente do que a maioria dos Brasileiros andam passando com a crise, mas vamos sobrevivendo. Mais preocupante ainda pelo fato de termos uma filha que necessita de cuidados especiais, e que sempre conseguimos arcar com todas as despesas com ela sozinhos. Mas do ano passado pra cá as coisas apertaram, e no ano passado ainda tinha os "bicos" que meu marido fazia, e isso ajudava muito.Esse ano a coisa minguou de tal forma, que começamos a ficar sem o básico do básico para que não respingasse nela. As despesas maiores são com Suplemento, fralda, medicamentos tarja preta, pois os de hipertensão e tratamento hormonal consigo pegar na farmácia do hospital onde ela passa. Não muito diferente é a situação da maioria das mães, pais, familiares que buscam os direitos dos seus filhos, mas nunca são amparados todos os meses. As pessoas se esquecem que as despesas são todos os meses e não um ou outro quando eles lembram de disponibilizar o que eles precisam. Aqui, graças a Deus a coisa apesar de apertada, tive ajudas da minha mãe, pai, irmã, comadre, cunhada, amigos, que sempre que podem estão ajudando. É pobre ajudando pobre. E eu seria extremamente pobre de espírito se não agradece... Seria mais ainda se não tivesse a minha filha.

Mas... comecei entrar em desespero. Meu marido trabalha, mas pagamos aluguel. Nossas contas são básicas: Água, Luz, e Internet (coloquei popular para não ficar sem e consigo fazer as coisas do mesmo jeito nos blogs). E não estava sobrando nada. Daí vi as coisas acabando. Comecei a ficar doente, de cama, resultado do meu stress, abatimento, cansaço, pois já não bastam as lutas, correria, dedicação entramos em um perrengue sem fim! Perguntei a Deus se ele não estava vendo isso, que estava cansada... Que só as pessoas ruins, que fazem maldade se dão bem, que parece que tudo de ruim está caindo sobre a gente. E o que a gente fez pra merecer isso? Não fazemos mal a ninguém! E ainda pessoas puxando o tapete, querendo se dar bem, e fazendo o que quer.
No dia seguinte, recebi uma ajuda inesperada! Fiquei em choque, não sabia o que pensar, o que achar. Não pedi ajuda e ela veio de duas pessoas muito queridas e amigas e eu faria o mesmo por elas. No outro dia outra ajuda, e mais doações de fralda, suplemento, leite e cereal pra colocar no leite. Foi um alívio tão grande, e depois de muito tempo consegui ir ao mercado comprar o básico que estava faltando, comprar as medicações da minha filha. Pensei: Poxa, vou respirar aliviada esse mês! Ela só tinha 1 caixinha de leite e chegaram essas coisas!

Mas poderia não ser assim. A minha filha poderia de fato ter ajuda do Governo todos os meses se não fosse a tamanha roubalheira. Conheço pessoas que os filhos precisam de ajuda pra dieta por sonda e nem isso elas conseguem, então uma mãe ajuda a outra. Fico pensando: E no outro mês? Vou ficar dependendo das pessoas? Elas não são obrigadas!
Senti um misto de alegria quando recebi as coisas e impotência. Fiquei sem graça, porque eu é que gostaria de estar ajudando pessoas! Mas muitas vezes a gente passa por coisas na vida que não queremos, e mesmo assim, o amor nunca falta. Meu marido até me disse: Lembra que aquele dia você disse que parecia que Deus não estava vendo as coisas? Então, agora ELE te deu a resposta. ELE está o tempo todo com você, e usa as pessoas para agir. 
Muitas situações na nossa vida são o fundo do poço, são desesperadoras, aquele último momento quando tudo parece estar perdido. A única coisa que quero é ter saúde para cuidar da minha filha, que ela seja feliz e que nunca falte, e desejo isso à todas as pessoas. Que Deus sempre envie um anjo naquele momento de aflição para socorrer. Muitas vezes a dor nos paralisa, nos dói de uma tal forma que não conseguimos enxergar as coisas com tanta fé nem positivismo, e somos humanos, falhos, vemos as coisas parecerem não ter solução. Espero de coração que a situação do nosso País mude. Que as pessoas mudem e pensem mais no próximo. Que os que detém o poder consigam olhar para os necessitados e eles possam ter dignidade para viver. 

Dou valor a tudo, pois tive várias situações na minha vida em que vi a precariedade dela, e só tenho gratidão para com aqueles que estenderam as mãos quando mais precisamos. Espero de coração que receba em dobro em forma de felicidade, amor e paz, e que da mesma forma que nos abraçou e nos amparou nunca falte nada às suas mesas!

Gratidão,

(Adriana Silva)

O Preconceito não entra se você não o veste/ Nem todo olhar é preconceito.


Hoje, quando saio com a minha filha não fico à caça de olhares preconceituosos ou deturpados. Aprendi com a minha filha que o preconceito não nos atinge quando não o vestimos. É claro, que independente de sua deficiência física, o mínimo entre os seres humanos é o respeito e a educação e quando isso acontece temos sim que nos pronunciar.

Outro dia, caminhando em um mercado, uma mulher parou só pra olhar para ela. Confesso que estava meio " estressada" e olhei furiosa para a cara dela e ela percebeu. O que me incomodou não foi o modo que ela olhou, até porque isso é problema dela. O que me incomodou foi ela não fazer questão alguma de disfarçar e deixar que eu percebesse. Ao mesmo tempo imaginei que algumas pessoas tem essas atitudes instintivamente quando veem algo " diferente" e pensei comigo mesma: Esquece isso sua boba! Mas a minha atitude também foi instintiva e de mãe leoa.

Algumas pessoas são tão limitadas que olham pessoas na cadeira de rodas como se elas fossem um E.T, como se elas estivessem de luto. Mas segui meu curso conversando com a minha filha, mostrando as coisas e ela toda feliz e para mim isso que realmente importa.
Me preocupar com olhares? Ficar triste com reações ultrapassadas em tempos modernos? É claro que não! Já temos tantas coisas concretas à fazer e lutar, e não podemos controlar e nem somos responsáveis pelo que os outros pensam. 

Quando eu vejo certo tipo de coisa, eu estudo o peito, sorrio para a minha filha cheia de orgulho , pois entre tudo que ela passou na vida, onde já nasceu lutando, e olho para trás, penso comigo mesma: Essas pessoas não me afetam mais! Minha filha é uma guerreira, é linda, é maravilhosa, está aqui nessa Terra porque Deus quis, nos dando lições diárias de amor, coisa que muitas pessoas jamais saberão vestir. Enquanto algumas se vestem de pensamentos errados (azar delas) nós não o vestimos, pois nós sabemos o que passamos para estar aqui hoje.

O que posso dizer à algumas mães? Aprendi que para sermos felizes temos que ignorar algumas coisas. Que não podemos controlar o mundo para nossos filhos passarem, e que vamos sim encontrar crueldade, falta de amor, de solidariedade, de educação e preconceito. Temos que sim fazer valer nossos direitos, mas enquanto não nos desarmarmos muitas coisas não vão mudar. E se deixarmos esses olhares que não querem compreender nos dominar vamos os vestir completamente. Não vamos mudar as pessoas, mas a partir do momento que elas verem que agimos naturalmente com nossos filhos, sorridentes, felizes apesar das nossas lutas, quem sabe uma parcela dessas pessoas que olham, agem e pensam dessa forma entenda o significado da palavra amor e se sentirão inadequadas, retrógradas por terem tais comportamentos. 

Ainda haverá uma parcela que vai falar besteiras, vai apontar, vai olhar, mas essas são as famosas pessoas ignorantes que ou damos as costas ou falamos umas poucas e boas para nunca se esquecerem da gente. Nem todo olhar é preconceito e ao invés de ficar na defensiva sempre, nós que temos que aprender agir naturalmente sem esperar olhares negativos dos outros. 

(Adriana Silva)