30 de maio de 2016

Despreparo " profissional"

Perdi as contas de quantas vezes apareceram profissionais despreparados em diversas áreas para atender a minha filha. Vi insegurança em alguns, prepotência em outros. Houve casos em que houve sinceridade e isso pra mim é tudo. 
Em uma situação, a médica do convênio que tínhamos na época ficou totalmente atordoada ao ver ela. Periodicamente, ela necessita fazer exame oftalmológico e a médica dizia que eu procurasse outro porque a minha filha não sabia falar no exame se estava enxergando ou não. Eu disse que não tinha segredo em atendê-la. Que ela sempre foi atendida desde bebê, e precisava era de um exame de fundo de olho, ver se estava tudo bem com a retina por ser prematura, e todo histórico de nascimento dela. Nada demais. 

Em outras situações a pessoa que a avaliava em consulta dizia coisas como se fosse um drama: Nossa, mas ela está abaixo do peso! Ela come bem? Oras, ela tinha atraso e sempre teve, e não tem estatura de uma pessoa da idade dela e teria peso? A culpa era minha? Não né? É dela! Mas lá vinham aqueles discursos que ela deveria ter tanto de peso, e tal, como se eu fosse responsável pela natureza ou que seja diagnóstico dela. E isso me irritava profundamente. Muitas vezes me coloquei como culpada, comecei a ver a coisa muito pior do que era por causa do comentário do profissional. Há coisas que não temos como comandar. Somos mães. Não somos Deus. Depois de tudo que ela passou quando recém-nascida o que eu menos precisava era de gente me colocando pra baixo. Eu rodava muito e trocava de profissional quando julgava necessário. Às vezes mudavam. Quando ela conseguia um que eu sentia que pelo menos ele a acompanhava e fazia a parte dele pra mim já era meio caminho andado.

É claro, que ao lidar com nossos filhos, algumas pessoas poderiam ser mais simpáticas, agradáveis e dispostas. Mas a realidade é outra. Então eu sempre avalio se a pessoa que me atendeu e olhou ela resolveu o que deveria ser resolvido de maneira correta. Eu não sou médica, sou mãe, sou totalmente flexível ao diálogo, mas nem tudo eu concordo e saio fazendo. Já fiz muita coisa que não deu certo seguindo certas instruções e acho que ser mãe é isso mesmo: É errar! Hoje, eu percebendo que não dá certo eu não faço. 
Sou absolutamente sincera: Há coisas que me atordoam! Não sei lidar com algumas atitudes, e se for pra enfrentar algo junto com a minha filha vou até o fim. Mas há coisas que são anti éticas e pra mim até desumanas.

Quando ela era recém nascida e teve alta da UTI Neonatal, eu sequer sabia trocar, pegar direito pois além de pesada, ela ficava a maior parte do tempo em encubadora. Recebi a ordem da enfermeira de a trocar, e eu toda atrapalhada. Uma outra mãe me disse que a pessoa foi no vidro e fazia um movimento de reprovação com a cabeça pela minha total falta de jeito. Mas do meu jeito eu fiz! Daí antes de descer para alta, teria que falar com o médico, mas ele estava atendendo uma outra criança, e ela que fez o papel da alta com as recomendações. Quando ela terminou ela disse: Você entendeu tudo o que eu disse? Como se eu não fosse capaz de entender. Eu disse é claro que entendi, ou você acha que tá falando com quem? 
Achei petulante, aquele tipo de profissional que se acha a maior no lugar. Que acha porque era mãe de primeira viagem não tinha capacidade pra nada! Eu estava aprendendo a ser mãe, e só saberia tentando. 

Estamos sujeitas a encontrar pessoas assim. Não tem escapatória. Fico feliz quando encontro pessoas apaziguadoras, que nos confortam, que nos dão um caminho de forma acolhedora, que explicam. Mas tem cada peça! Parece que nossos filhos viram produtos em prateleira com rótulos, sem sentimentos nem coração, e que nós mães não somos nada. Que eles são os piores seres da face da terra, os mais doentes, complicados, complexos. Não respeitam, não ouvem. Falam a visão deles e é isso e acabou. 

(Adriana Silva)

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