10 de maio de 2016

As cobranças que nós mães nos fazemos.

Não sei se todas mães passaram por isso. Só sei que até pouco tempo atrás eu me cobrava além do que poderia me cobrar. Pensava que se eu fizesse mais a minha filha poderia andar,que se eu a estimulasse mais e mais ela faria tudo aquilo que sonhei. Que talvez eu não estivesse me esforçando tanto, que ela poderia comer sozinha, que poderia sair da fralda e ir ao banheiro, andar, falar, e ser muito mais se eu fosse uma máquina perfeita.
Com o tempo, fui percebendo que por mais que faça não é uma coisa que se resolve apenas eu querendo. De tanto me desgastar fui me dando conta que não sou a mulher maravilha, que não sou a gênio da lâmpada, que não posso assumir inteiramente responsabilidades que não são minhas. A minha filha evoluí em muitas coisas e cresceu em coisas que eu nem imaginaria que fizesse, e eu por muitas vezes não percebia isso. Me deixava entristecer por perguntas do tipo: - Ela vai andar? - O médico disse que ela vai andar? - Coloca ela na AACD, se tivesse colocado ela estaria andando! - Leva na Igreja, pare de dar esses medicamentos, ela vai ser curada! Me entristecia pela ignorância ou a falta de sensibilidade. Hoje não mais!
Eu sou o tipo de pessoa que não vou pela cabeça de ninguém e apesar de ouvir esse tipo de coisa e responder no caráter informativo, eu me abatia porque parecia que tudo o que eu estava fazendo não valia de nada! Ninguém fica 24 horas na nossa pele. Nós somos interinamente MÃE e cuidadoras.Parece que todas as responsabilidades de tudo que aparece e não é nossa culpa as pessoas nos culpam. Mas, eu comecei a perceber que essas pessoas que se mostram preocupadas não sabiam o que uma mãe sente. Talvez se algumas pessoas vissem nos pegariam no colo e nos cuidasse com mais amor e respeito.
Então... ao invés de me cobrar e me pressionar, eu faço o que deve ser feito. Me cobro sim como toda a mãe faz. Mas sem neura. Eu também tenho o meu limite, a minha dor, o meu cansaço. Cobro da minha filha que ela deva fazer as coisas mas a respeito. Não vou querer que ela faça algo que sei que não consiga, cada dia é um pouquinho, cada dia é de cada vez. Ao invés de lamentar pelo que ela não faz eu me alegro com o que ela tem capacidade de fazer. Sempre a tratei incondicionalmente como pessoa sabendo as suas dificuldades jamais a taxando de coitadinha e quando precisa leva bronca, e sou mais firme. Ao mesmo tempo que não superprotejo. Cobro aquilo que está ao seu alcance. Acho que temos que ter equilíbrio.
A minha ênfase não é na deficiência física dela e sim na capacidade emocional que ela possui. A capacidade de sorrir verdadeiramente, de ser feliz mesmo não tendo o que muitos tem, de se envolver com as pessoas, expressar seus sentimentos, receber das pessoas e mostrar quando algo a desagrada e ter a sua personalidade respeitada.

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