28 de abril de 2016

Como as pessoas lidam com as pessoas especiais

A dificuldade de algumas pessoas em lidar com pessoas especiais seria simples se as pessoas entendessem que o Amor é a palavra chave de qualquer relacionamento. A começar por si, a doar ao seu próximo, porque no fundo as pessoas que são incoerentes, preconceituosas não tem essa atitude chave em seu coração. Então como dar ao seu próximo?

As pessoas especiais percebem quando uma pessoa que se aproxima dela não é sincera, ou tem dó, ou até medo. É preciso desmistificar a ideia de que tem que ter termo correto para se aproximar dos nossos filhos. É apenas chegar e conversar como se ele não fosse " diferente", ou um alienígena. Ou dizer coisas estranhas para as mães e familiares quando não for possível a interação. Acho até que muitas vezes um gesto de amor, de carinho para mãe e filho dizem muitas coisas que nem precisam ser ditas com palavras.

Algumas mães precisam de desarmar e parar de achar que tudo é preconceito. As pessoas olham mesmo, e eu como mãe sei que algumas atitudes irritam. Com o tempo vamos percebendo que todo mundo olha mesmo, algumas pessoas acham absurdos, falam coisas que jamais diríamos. Mas isso é ignorância delas! Apesar de algumas situações serem desagradáveis a diferença na vida dos nossos filhos é como encaramos eles. É como os respeitamos, amamos e admiramos. Não temos como ensinar algo as pessoas que não querem entender, aprender, ouvir e desenvolver. Não podemos mudar o mundo. Amor é algo que ou tem ou não tem. Não precisamos também ser ignorantes por interpretar cada olhar como uma afronta. Muitas pessoas querem aprender a lidar porque não sabem apesar de ter esse amor que eu tanto prego, eles ficam receosos de talvez não agirem corretamente. 

Há coisas que nem merecem ser respondidas é verdade. Há outras que precisam ser colocadas em seus devidos lugares, e há ensinamentos na vida de todos nós até com as experiências negativas pois de certa forma nós amadurecemos e sobrevivemos a todas adversidades com os nossos filhos. Nos importamos muito mais do que eles com algumas pessoas. Eles vivem a vida cheios de amor e força apesar de tanta coisas que passaram. Eles procuram referências e espelhos em pessoas que eles admiram e nós somos essas pessoas. Erramos, tropeçamos e caímos é verdade. Mas para quem tem amor, disposição e se propõe a aprender ser mãe, pai, familiar de uma pessoa especial não é difícil.. O que é difícil é a falta de tato, de sensibilidade, de delicadeza e generosidade. Isso está cada vez mais raro é verdade, mas temos de pessoas que valem a pena. 

E como nós sabemos como é ter isso em casa talvez por isso destoe tanto da humanidade. Não que sejamos melhores do que ninguém. Mas mostra que as pessoas tem pernas e não andam para a frente em seus pensamentos. Elas vivem alienadas nas suas opiniões sem ao menos conhecer ou tentar entender pelo menos. Ao mesmo tempo ninguém tem obrigação a nada, porque sentimentos e consideração é algo espontâneo. Na minhas conversas com as pessoas escuto muitas dizerem que as próprias pessoas da família não aceitam, discriminam e não convivem. Eu mesma já lamentei por algumas atitudes. Hoje eu agradeço! Porque ninguém precisa ter alguém desse do lado!
E quando alguém me conta que alguém da própria família ignora eu digo: Azar dessa pessoa! A diferença para seu filho é ter você!

Nós, mães trilhamos por tantas coisas, superamos tantas outras e percebemos que aquela faca que nos atingia hoje não chega nem ser uma agulha. Porque enxugamos as nossas lágrimas com o sorriso dos nossos filhos. Mesmo sendo cansativo temos alegria e amor para dar e doar. Até aos ignorantes. Até aos que não sabem o significado da palavra amor. Podemos até passar desapercebidas, outras só faltarem passar por cima de nós. Mas a nossa vida é uma eterna dança das cadeiras. Um dia sentado e no outro em pé.

Adriana Silva

25 de abril de 2016

As dificuldades que nós mães cuidadoras adquirimos com o tempo.

Amo cuidar da minha filha. Amo brincar, ser amiga, ser criança, ser filha.... Amo ver ela bem arrumadinha, cheirosa, alimentada e feliz! Não faço mais do que a minha obrigação. Faço mais do que faço a qualquer outra pessoa - até a mim mesma, porque ela não sabe fazer por si. Cobro dela algumas coisas dentro do que sei que ela pode, incentivo, ensino e sei até onde ela pode ir. Cada dia é um pouquinho.
Jamais vou reclamar de ter que fazer isso. Já estive doente, de cama, com o " pé na cova" e mesmo assim fazia me arrastando.

E posso estar ruim, velhinha, de muleta, seja como for vou fazer! Vou tirar forças até de onde não tiver sempre olhando para Deus porque é ELE que sempre me conduziu até aqui.
Mas confesso que a cada ano que passa fica mais difícil. Porque ela está crescendo, ficando mais pesada. Eu que nunca sentia dor constantemente fico com dor na lombar. Enfim, a gente que é mãe suporta tudo. Mas é uma maratona.
Jamais vou chegar aqui e ficar reclamando. O que faço é escrever, é desabafar porque sei que muitas mamães passam pelo mesmo. 

Meu marido percebendo talvez um desgaste meu, ele me ajuda. Eu nem peço. Enquanto dou banho na Jaque ele troca as roupas de cama, joga as roupas suja no cesto. Ele percebe que quanto mais eu ficar curvada mais dor vou sentir.
Nós temos o tempo tão corrido, não temos tempo para nós. Outro dia eu vi uma mãe que está ficando corcunda de tanto pegar o filho colocar na cadeira, tirar da cadeira, e vi a expressão dela de dor, cansaço. A conheço a anos e quando a vi até estranhei.
Sinto que todas nós precisamos de um suporte postural, orientação para nós mesmas. Porque para eles desde que eles nascem estamos cercadas de recomendações e sabemos de cor e salteado.

Assim como nossos filhos possuem as limitações físicas deles, nós mães, cuidadoras vamos adquirindo coisas que não gostaríamos, mas por esforço repetitivo é inevitável.
Não vejo em lugar algum uma preocupação com os cuidadores e mães. Até na internet fiz buscas e vi apenas para cuidadores de idosos, no google idem. Será que os cuidadores não precisam de cuidados também?
Não vejo esforço nem preocupação com o nosso bem estar, e nós estamos tão cansadas... Quem tem condições pode se cuidar de alguma forma. E quem não tem? 

Fica a reflexão.


(Adriana Silva)

6 de abril de 2016

Ame o que é diferente.

É muito fácil amar aquilo que te traz vantagem. Difícil é amar o que difere-se de você e não te traz benefício aparente.Difícil é pegar no colo mesmo sabendo que vai ralar os joelhos. Mas é fácil rir e conversar com aqueles que são muito iguais e acham graça de tudo o que você fala.
É cômodo gostar de pessoas que sempre te elogiam por aparentemente lhe conhecer sem ver os seus piores defeitos. É incomodo quando as pessoas lhe dizem aquilo que você não quer ouvir e por isso você se afasta.
É fácil querer perto as pessoas que falam aquilo que quer ouvir, e é maravilhoso se iludir com um mundo de aparências, onde reina a hipocrisia.
É difícil querer conversar olhando no olho do ente querido, de saber como está, mas é absolutamente fácil trocar mil mensagens e ter tempo a todas as pessoas que acha importante para inflar o seu ego.
Ame o que destoa de você. Traga para perto e para uma conversa cara a cara aquela pessoa que você ama. Esqueça o celular, o tablet o notebook.  Ame o que é diferente se você for capaz! Quebre as barreiras!

(Adriana Silva)

2 de abril de 2016

O que fazer quando um dos lados é superprotetor?

Acho lindo quem se preocupa com a gente de verdade. Isso é muito raro nos dias atuais onde cada um só se preocupa com seu bem estar. O que é complicado são os excessos. Isso sobrecarrega, estressa demais, sufoca, atrapalha. Se preocupar não é ficar falando o que o outro tem que fazer. Nem deixar o outro nervoso. As  responsabilidades devem ser divididas e um deve ser auxílio na vida do outro, para cuidar bem da pessoa. 

Ninguém pode com um lado que sabe que fazer de um jeito dá certo, ao mesmo tempo que ela deve se posicionar e dizer o que acha e junto com a pessoa ver um jeito melhor de conduzir ou se conduzir pela vida. Conversas são muito importantes na educação de um filho, e o ambiente familiar deve ser o mais leve possível. Acredito que deva haver uma coerência de conduta de quem cuida de alguém, havendo um equilíbrio. Sei que muitas famílias tem a mesma situação. Existe o lado equilibrado e o lado exagerado. É muito bom ter um lado que te puxa e diz: Você está exagerando! Vamos fazer diferente?

A compreensão é algo que ajuda muito, e a ponte de apoio dos nossos filhos é a segurança que passamos à eles. Isso faz toda a diferença no modo como eles encaram as dificuldades. Se nós ficarmos superprotegendo eles, terão dificuldades além daquelas que realmente passam. Sei que é difícil, porque não queremos que eles passem por certas coisas. Mas temos que ser realistas e entender e que já que precisam não tem outro jeito! Apesar do nosso emocional doer, a nossa razão deve ser forte e perseverante também! Foi assim que aprendi a lidar com tudo que passei e passo, porque tenho que me posicionar em tudo. Sempre sou o lado mais racional da história, e é exatamente nisso que ajudo a minha filha. Por mais que me doa, estou ali firme e forte. Nós também temos medo, temos as nossas limitações e merecemos respeito. Somos pessoas e não máquinas. 

Podemos sim nos preocupar. Mas se deixar o desespero tomar conta teremos 2 problemas ao invés de 1. E a melhor forma de ajudar é ter a cabeça fria para resolver as coisas, ouvir, falar, se posicionar e questionar. A superproteção não ajuda! Ela torna as pessoas demasiadamente medrosas em relação à vida e a tudo. Se tornam pessoas " moles", muito diferente de pessoas sentimentais e preocupadas. Com o tempo as pessoas aprendem a dosar emoção com razão, porque ambas em excesso atrapalham. Desde que tive a minha filha sempre fui muito firme. Talvez se eu não tivesse sido assim ela não seria metade do que é hoje, porque a emoção nos cega pra muita coisa. E isso não quer dizer que sou insensível. Muito pelo contrário. Depois eu desmorono e tenho meus momentos complicados, reflexivos, conflitantes, erro, acerto e aprendo. Sou flexível, e quando não concordo eu digo. Eu sempre priorizo o que é melhor para ela, independente de qualquer coisa. Há coisas que podem esperar, e há coisas que não. Há prioridades, necessidades e há coisas que não são tão importantes no momento. Essa é a diferença.  

Adriana Silva