3 de setembro de 2015

O amor está aí, as pessoas que se esqueceram de usar.

Tempos atrás, não existiam algumas coisas. Era bem mais difícil é verdade, mas à medida que vão colocando leis, parece que há um cabo de guerra humano, onde apesar de certos " benefícios" , há um lado da balança que pesa sempre mais. Esse lado é o do desrespeito.
Vou dar um exemplo prático: Hoje, eu vejo uma diferença gritante em relação ao tempo de espera que um cadeirante - assim como a minha filha, precisa para ser atendida. Pacientemente, mesmo com algumas dificuldades de demanda, eu mantenho a paciência porque sei que não é do dia para a noite que vão conseguir mudar ou melhorar alguma coisas. O que posso fazer como mãe e como alguém que sempre se preocupa com pessoas na mesma situação tenham o melhor é sugerir e apontar erros e acontecimentos. Não reclamo ou faço como algumas pessoas que começam a reclamar e brigar no lugar. Deixo para fazer em um momento em que mais calma, ou menos atarefada eu possa entrar em contato com setores responsáveis pela administração ou treinamento dos funcionários, porque é responsabilidade do local já que há o direito de acesso fiscalizarem a forma em que tudo acontece ou a forma que lidam com esse público. Vejo pessoas também se esforçando e muito para que as leis sejam cumpridas não só porque é apenas uma lei, e sim pensando no bem-estar dessa pessoa.

Por outro lado, ainda há demoras, mas que poderiam ser maiores. Na contramão disso, as pessoas que não precisam de atendimento prioritário se queixam de quem os tem. Eu sinceramente não queria que a minha filha dependesse de atendimento prioritário. Por mim, pegaria fila, senha, e seria atendida por ordem de chegada. Como sei que ela será atendida primeiro, faço questão de chegar cedo. Acho isso até respeitoso para com as demais pessoas. 

É inegável que ainda há um despreparo humano de alguns profissionais em relação acompanhante de paciente x paciente. Outro dia, durante um atendimento, uma pessoa disse: - Nossa como ela tem a perninha fina (a parte de baixo). Eu respondi: Mas ela é assim mesmo. Ela está bem melhor do que estava há uns 4 meses atrás. Ela engorda, mas tem padrão de pernas compridas e finas. 
Eu sempre faço questão de falar tudo, porque tenho a sensação que colocam defeito o tempo todo, e só quem é mãe como eu sabe quem é seu filho. Um profissional está vendo pela primeira vez, então ele precisa ser informado o que é e o que não é. Só que em algumas vezes, tive que ouvir coisas como se fossem de outro mundo. Eu sempre penso comigo: Quando será que o atendimento será mais humanizado? Ao mesmo tempo, com algumas dificuldades, eu analiso que pelo menos a minha filha tem o tratamento e acompanhamento necessário e que nada é perfeito. E que a minha obrigação como mãe é informar, conversar, ouvir e fazer. Se preciso for questionar, discordar, mas sempre entrando em um consenso do que é melhor para ela.

Mas espero de coração que especialmente as pessoas aprendam a ter sentimentos. A perceberem que ninguém queria estar em determinadas situações, que educação e respeito nunca é demais. É claro que para eu falar isso eu tenho que ser exemplo. E ainda bem que faço muito bem a minha parte. Não lembro de algum dia ter sido mal educada com alguém, ou desrespeitado. Isso nem seria eu pra falar a verdade. 
Outro dia estava na espera de um exame, e uma moça da limpeza estava passando com o carrinho com todos os itens de limpeza. A minha filha estava no corredor, e eu sentada na ponta. O que ela fez? Foi passando e empurrando a cadeirinha da minha filha. Eu, educadamente tirei do caminho pra ela passar, ela sequer olhou pra nossa cara!
Na segunda vez, ela bateu novamente. Eu olhei pra cara dela com reprovação. Fiquei nervosa. E quando ela estava saindo eu disse pra outra pessoa: - O que custa a pessoa pedir licença? Quer que eu pegue a cadeirinha dela e coloque na cabeça pra ela passar? 

Esperei toda a correria passar e preenchi um formulário que vai pra ouvidoria. Eu sempre faço isso. Não me estresso na hora, mas encaminho pra pessoas superiores que possam ler, ouvir e resolver o problema. Eu até entendo que era muita gente, mas se tivesse machucado a minha filha? 
Eu tenho esperança que junto com as leis as pessoas aprendam a ter um pouco mais de humanidade. Eu acho que a medida que o tempo passa, as coisas só pioram. Será que realmente as coisas mudaram? Será que vão mudar? Seria muito bom se sim! " O amor está aí, as pessoas que se esqueceram de usar" . Ele não acabou, ele simplesmente foi esquecido.

Adriana Silva.

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