30 de junho de 2015

Aprendizados diários que nos permitimos ensinar e aprender com nossos filhos.

Eu acho que não é só o amor incondicional que nos move a impulsionar nossos filhos. Temos nossas limitações, e as coisas não são fáceis a maior parte do tempo.
Mas sabe o que percebo? Que quando nos permitimos ser amados, quando nos permitimos ouvi-los e querer o melhor para eles, tudo começa a fazer sentido na nossa mente.
Entendemos que para tudo necessita de esforço. Entendemos que precisamos ter paciência pra cada conquista mesmo que ela seja muito demorada. E é por esse motivo que quando algo que nos surpreende ou acontece comemoramos de uma forma que o mundo todo saiba. É uma explosão de felicidade!

Quando a minha filha fez triagem pra entrar na escola, me perguntaram o que eu gostaria que ela fizesse. Geralmente as mães respondem que querem que seus filhos andem, falem, comam sozinhos, sejam independentes, etc. Eu não sabia a curto, médio ou longo prazo o que minha filha poderia ser ou fazer. Então respondi: Quero que ela seja feliz! Quero que ela consiga de alguma forma expressar que me ama, e que ela entenda que eu a amo muito também! É claro, quero que ela faça as coisas. Sei das limitações dela. Mas não podemos prever nada. O que posso fazer é me esforçar, colaborar, ter ajuda de quem pode nos orientar.
 
Sempre conversei muito com a Jaqueline. Sem eu perceber ela foi aprendendo os sentimentos. Expressar, rir, debochar, imitar uma situação, imitar o que falamos pra ela expressar algo, ou que sabe, ou que viveu aquilo. Sem perceber ouvi eu te amo em gestos. O dia que ela falou eu te amo, e ela entende o que significa, eu chorei de alegria! Desde então, não há um dia que eu não ouço. Não há um dia que ela não diga: Muito obrigada mamãe por tudo! Os olhos dela, o sorriso, o abraço, o jeito carinhoso e meigo de se expressar, e até pedir carinho é que ela quer doar o amor dela também.
 
Mesmo com todas as dificuldades que enfrentamos nesse nosso caminho em comum de mães, algo muito espetacular me conforta. Saber que estou fazendo a coisa certa, que todo meu esforço tem significado, então existir tem sentido. Claro que tem. Não vou mentir que o cansaço físico e emocional muitas vezes é muito forte. Que temos que conviver com injustiças, humilhações. O mundo segue um padrão, um rótulo, que simplesmente ele não nos representa. Acho que dentro de todas nós mães existem professoras, médicas, enfermeiras, e se muitas vezes quando mergulhamos de cabeça nesse mundo de ser mãe, não entendemos nada, nos perguntando porque comigo, vamos nos perguntar: Será que eu vou ter capacidade de ser a mãe que o meu filho merece? E a resposta é sim! Pode parecer assustador no começo.
 
São muitas dúvidas, perguntas. Ficamos perdidas. Mas vamos descobrir que temos que lidar com as nossas próprias limitações, e vamos aprender que pra que nosso filho supere algo ou melhore, teremos que primeiramente nos superar e melhorar. Não faz mal se de vez em quando não tirarmos tudo de letra. O importante é que a vida é pra se viver, errar, tropeçar e levantar e se não for possível, teremos até que ter paciência pra lidar com as nossas fraquezas e respeitar tudo que vir de nós, pois é assim que nos aceitamos. Só assim, que poderemos aceitar de fato nossos filhos. Aceitar que não somos perfeitas. Que não somos donas da situação, nem poderemos carregar o mundo nas costas em 1 dia, e no outro sequer conseguir levantar. Teremos que aprender a racionar o nosso tempo diante das rotinas, e aprender a controlar a ansiedade de achar que podemos ter controle sobre tudo. Não teremos. Seremos impotentes muitas das vezes. E em meio a lágrimas, temos que ir à luta. Poderemos reclamar, nos cansar, mas entender que isso não vai nos ajudar em nada. Mas se fizermos é porque temos defeitos. E que tudo passa. O tempo passa, e ele é precioso, cada segundo que temos com os nossos filhos.
 
(Adriana Silva)