24 de abril de 2015

Pressão Psicológica, Integração e divisão de atividades e tarefas.

Com o tempo, nós mães viramos um piloto automático de fazer coisas. Coordenar mil coisas, com rotinas difíceis e ainda conviver com a pressão psicológica das pessoas que acham isso ou aquilo. 
É claro, que algumas vezes opiniões ajudam. Mas o que mais ajuda mesmo são as ações.

Eu acho que muita gente sabe exatamente o que fazer quando é a vida do outro, mas duvido se ficasse na pele do outro por um minuto se conseguiria fazer melhor. E sabe o que percebo? Muita acomodação de algumas partes. Fica tudo em cima de apenas um integrante da família que cuida dessa Pessoa com Deficiência. Ninguém para pra pensar que se essa pessoa falta quem vai sofrer é quem é cuidado. Ninguém se interessa em saber ou aprender nada, e ainda fica apontando como se deve fazer isso ou aquilo. Vejo mães cansadas, exaustas porque ninguém aprende a dividir. Ninguém aprende fazer algo mesmo que a tenha pra fazer, pra participar, pra aprender, pra estar integrado(a) à vida daquela pessoa. E mais vale a divisão do trabalho, do que apenas um fazer tudo e ficar sobrecarregado. Não é ajuda, é dever. É integração e divisão de atividades e tarefas.

E algumas pessoas abrem a boca pra criticar sem saber um décimo do que o outro passa ou sente  e penso que as pessoas deveriam respeitar as outras, ou pelo menos tentar ajudar, e se não possível que não atrapalhem né?

Se possível deveria haver não só uma divisão dessas atividades e tarefas, mas sim uma rotatividade de cuidadores dentro de uma família. Assim não só a responsabilidade do cuidado lhes é atribuído, ou fica tudo nas costas da pessoa mas também um conhecimento dessa Pessoa, da sua vida, e uma "folga" ao outro. 

Uma pena que nem todas as pessoas pensem assim. Apenas um cuidador que detém sobre si toda a responsabilidade, o conhecimento, o cansaço e muitas vezes o desânimo e depressão. Doenças aparecem, porque o cuidador passa a repetidamente exercer as mesmas atividades sem descanso do corpo e da mente, porque ele passa a viver integralmente aquela pessoa, sem tempo pra ele. Visivelmente cansado, fisicamente e psicologicamente.

A pressão psicológica atormenta muitas pessoas, fazendo com que estas se tornem cada vez mais perfeccionistas, e duras consigo mesmas, onde há uma cobrança de perfeição que não existe, onde se é uma máquina e não um ser humano que deve tudo fazer, nunca errar e sempre estar bem e disposto. Isso é um erro, porque é um risco não só à si mesmo e sim a falta de informação dos demais sobre quem precisa tanto de cuidados especiais, e que poderia ser dividido a todos não só a tarefa de cuidar mas também de amar.

(Adriana Silva)

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