27 de abril de 2015

Diagnósticos, despreparo, erros, acertos, e soluções.

Muitas vezes, a gente se sente impotente diante de coisas que acontecem que fogem de controle.É difícil, porque muitas vezes fazemos o nosso máximo e mesmo assim ele não está adiantando. Passamos dificuldades que não queríamos passar, e pior: Vemos um filho passar junto.
Temos que lidar com descaso de pessoas, outras sequer se importam. De outras que não tem preparo algum, mas também surgem algum tipo de anjo que nos diz: Calma. Não se culpe. 


Iremos nos deparar constantemente com pessoas despreparadas, médicos despreparadas, um mundo despreparado. 
Lidamos com todo tipo de profissional em hospital temos todos os recursos, todos exames, então não posso reclamar de falta de amparo porque o médico sendo simpático ou não, sempre tive uma solução. Vemos uma demanda de pessoas, vemos desorganização, e até falta de sensibilidade. Mas também temos soluções, então são as coisas positivas que devemos enfatizar. Temos que falar o que está errado quando preciso sim, porque muitas vezes rodamos e perdemos tempo. Temos uma falta de consideração onde as pessoas não se colocam no lugar do outro, nem se preocupam, e há uma incoerência enorme, pois não se presta atenção com carinho à necessidade do outro e se faz cumprir as coisas como elas devem ser na prática. O ideal é que se algo é urgente, ser tratado com urgência de fato.

Erros e acertos nos ensinam muito. Sabe quando tudo dá errado? Quando fazem tudo errado?
A gente perde tempo, mas não adianta, vamos lá  de novo, conversamos e resolvemos de outra forma que não faríamos se tivesse dado tudo certo. Talvez se a gente acertasse sempre não chegaríamos a tantas conclusões. Muitas vezes, ficamos transtornados por novas situações que não conseguimos ver tudo nitidamente, de raciocinar friamente, porque nos deixamos envolver pelo externo, e depois toda a nossa racionalidade pra resolver as coisas acontecem. Quando tudo dá errado, era pra nos mostrar que tudo dá certo mesmo em meio ao caos, que tudo vai dar certo e vai acontecer melhor. Parece meio incoerente isso, mas é a mais pura verdade! 

Muitas vezes, as pessoas fazem uma confusão na nossa mente, e é claro, algumas coisas são preocupantes, mas chegam a um ponto massacrante onde nos enterramos vivos de tanta culpa, de tanto: eu tenho que fazer mais e melhor, a culpa é minha, e ouvir os negativos das pessoas e não ouvir o nosso eu, não seguir as nossas intuições, fazer tudo que deve ser feito, e ir vendo o que dá certo ou errado por nós mesmos. As pessoas falam, mas se ignorarmos muitas coisas, vamos perceber que o importante é o que você faz e dá certo. Os conselhos e ensinamentos das pessoas podem ajudar, mas podem atrapalhar também. Podem dar certo, mas podem dar errado. Só nos damos conta de tudo, quando passa aquela confusão, quando aquela barulheira passa de pessoas que viram nossos filhos uma vez só, ou sequer sabem como eles são no dia a dia, presos à um rótulo, conceito, ou diagnóstico. As pessoas podem sim nos ajudar e auxiliar, mas podem nos fazer olhar os problemas bem maiores do que eles são. 

Temos que depois resolver tudo com calma. Mesmo que seja no dia seguinte. Não faz mal. Até as coisas ruins viram boas. Temos que colocar nossas ideias pra fora e chegar as soluções. As coisas podem ser difíceis, nós nem sempre saberemos lidar com tudo, e nem facilmente, mas por vezes, vamos perceber que fizemos tempestades em um copo d'água e vemos " monstrinhos" embaixo da cama e lá não existe nada! Se as pessoas complicam, temos que simplificar.

Adriana Silva

24 de abril de 2015

Pressão Psicológica, Integração e divisão de atividades e tarefas.

Com o tempo, nós mães viramos um piloto automático de fazer coisas. Coordenar mil coisas, com rotinas difíceis e ainda conviver com a pressão psicológica das pessoas que acham isso ou aquilo. 
É claro, que algumas vezes opiniões ajudam. Mas o que mais ajuda mesmo são as ações.

Eu acho que muita gente sabe exatamente o que fazer quando é a vida do outro, mas duvido se ficasse na pele do outro por um minuto se conseguiria fazer melhor. E sabe o que percebo? Muita acomodação de algumas partes. Fica tudo em cima de apenas um integrante da família que cuida dessa Pessoa com Deficiência. Ninguém para pra pensar que se essa pessoa falta quem vai sofrer é quem é cuidado. Ninguém se interessa em saber ou aprender nada, e ainda fica apontando como se deve fazer isso ou aquilo. Vejo mães cansadas, exaustas porque ninguém aprende a dividir. Ninguém aprende fazer algo mesmo que a tenha pra fazer, pra participar, pra aprender, pra estar integrado(a) à vida daquela pessoa. E mais vale a divisão do trabalho, do que apenas um fazer tudo e ficar sobrecarregado. Não é ajuda, é dever. É integração e divisão de atividades e tarefas.

E algumas pessoas abrem a boca pra criticar sem saber um décimo do que o outro passa ou sente  e penso que as pessoas deveriam respeitar as outras, ou pelo menos tentar ajudar, e se não possível que não atrapalhem né?

Se possível deveria haver não só uma divisão dessas atividades e tarefas, mas sim uma rotatividade de cuidadores dentro de uma família. Assim não só a responsabilidade do cuidado lhes é atribuído, ou fica tudo nas costas da pessoa mas também um conhecimento dessa Pessoa, da sua vida, e uma "folga" ao outro. 

Uma pena que nem todas as pessoas pensem assim. Apenas um cuidador que detém sobre si toda a responsabilidade, o conhecimento, o cansaço e muitas vezes o desânimo e depressão. Doenças aparecem, porque o cuidador passa a repetidamente exercer as mesmas atividades sem descanso do corpo e da mente, porque ele passa a viver integralmente aquela pessoa, sem tempo pra ele. Visivelmente cansado, fisicamente e psicologicamente.

A pressão psicológica atormenta muitas pessoas, fazendo com que estas se tornem cada vez mais perfeccionistas, e duras consigo mesmas, onde há uma cobrança de perfeição que não existe, onde se é uma máquina e não um ser humano que deve tudo fazer, nunca errar e sempre estar bem e disposto. Isso é um erro, porque é um risco não só à si mesmo e sim a falta de informação dos demais sobre quem precisa tanto de cuidados especiais, e que poderia ser dividido a todos não só a tarefa de cuidar mas também de amar.

(Adriana Silva)

15 de abril de 2015

Olhar não arranca pedaço, mas muitas vezes diz muita coisa...

Vi outro dia em uma matéria na Televisão, uma cadeirante falando sobre os olhares das pessoas. Ela disse que hoje não se importava mais, mas que machucava. Porque muitas vezes as pessoas são cruéis mesmo. Olham como se os outros fossem coisas de outro mundo, nem disfarçam.
Eu penso que o que as pessoas fazem é o que as define.
Acho também que as pessoas deveriam sentir vergonha de si mesmas, achando coisas absurdas dos cadeirantes, que são superações diárias de orgulho, que nos inspiram a olhar a vida de uma outra maneira. Acredito que pessoas que tem reações negativas são pessoas mal resolvidas consigo mesmas, são pessoas mal amadas e que jamais entenderão o valor de uma vida.
Eu tenho imenso orgulho da minha filha, não importo com esse tipo de pessoa que acha horrores dos outros por julgar que em cima de uma cadeira a pessoa não vive.
Posso afirmar que a minha filha vive mais do que muita gente! Afirmo ainda que vejo pessoas que tem limitações enormes e fazem muito mais coisas do que eu mesma!
Não podemos evitar nem controlar os olhares das pessoas. Ao mesmo tempo que temos olhares ridículos temos olhares que dizem coisas boas também.
Sabe o que agrega? Pessoas boas! As que tem certos comportamentos nos ensinam a continuar caminhando no com a mesma intensidade, e nunca deixarmos de ser pessoas generosas e educadas.

(Adriana)

13 de abril de 2015

Gentilezas

Hoje estava andando com  a minha na calçada levando-a pra escola. Daí um rapaz tirou o saco de lixo que estava no caminho pra passarmos.
Agradeci e me senti aliviada: Ainda existem pessoas generosas nesse mundo. A cada dia que passa, vejo mais pessoas que se preocupam apenas com elas mesmas, que passam por cima das outras, que se acham melhores, e isso é lamentável! Ainda existem pessoas que naturalmente se preocupam com o próximo, que agem por sinceridade e com o coração aberto, e outras que sequer sabem o que é isso.
Esse é o mundo que vivemos! Com contradições tão grandes. Com pessoas de verdade e com pessoas de mentira. Sei que seria demais se todos se importassem com a dor do outro, ou a dificuldade.  Mas gentilezas são atitudes que me fazem refletir, que me fazem pensar que existem ainda pessoas que agem assim como eu fiz. faço e faria. Não me arrependo de ser assim. Mas gentilezas deveriam ser normais. Hoje é uma raridade.
Não vou mentir que há certos tipos de pessoas que mereciam mesmo uma bela bofetada na cara, de tão ridículas que são! Todos os dias também convivemos com injustiças, pessoas sendo beneficiadas injustamente, pessoas mal educadas. Mas elas são o que são. Pessoas alienadas no seu próprio mundo.

Adriana

7 de abril de 2015

Acessibilidade X Realidade das calçadas para os Cadeirantes

Acessibilidade é um termo muito bonito que usam pra dizer que pensam ou se preocupam com os cadeirantes, mostrando que todos tem direito de ir e vir.
Mas na prática, não é bem isso o que acontece. 

Nos deparamos diariamente com as dificuldades de ter que andar " pisando em ovos", ou enfrentando um chão cheio de obstáculos, ou dizendo bem a verdade: Inacessíveis, e somos obrigados a levar nossos filhos no " meio fio" ouvindo buzinas e desaforos de que estamos errados. Mas é claro que seria ilusão pensarmos que o mundo pensaria em se adaptar pensando que por ali um cadeirante pudesse passar. O mundo não vai girar em volta das nossas dificuldades, e mesmo com essas dificuldades, eu sempre tento passar pela calçada que é um lugar seguro. Muitas vezes as pessoas se comovem, querem ajudar, se solidarizar, mas a gente que está acostumada a enfrentar tanta coisa acabamos dando um jeito. Muitas vezes já me machuquei, mas o importante é nada acontecer com a minha filha.

Essa reclamação não é exclusiva nossa, é geral. Dizem que a responsabilidade da calçada é do dono, ou do morador. Sem contar com os danos que essas podem causar por acidentes e quedas nas pessoas. Por mais que se falem em leis, ela se fosse aplicada corretamente não haveriam tantos buracos e até portões excedendo o espaço permitido, avançando as calçadas. 

As pessoas só param pra pensar nessas dificuldades no dia que enfrentam.

(Adriana)

1 de abril de 2015

Estatuto da Pessoa com Deficiência


Segue abaixo o Estatuto da Pessoa com Deficiência de 2013. Esse estatuto nos daria orgulho se tudo que nele há se cumprisse, é claro que algumas coisas melhoraram, mas está longe de ser o ideal que sonhamos e queremos aos nossos filhos.


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