19 de janeiro de 2015

O medo de ser Mãe

Ao nos depararmos com esse mundo de ser Mãe, o medo é algo natural. Passamos a ser responsáveis por uma vida tão indefesa, e sermos as guardiãs como leoas defendendo sua cria de predadores cruéis. No caso, os predadores que nos assombra, é essa rotina desconhecida onde muitas vezes nos sentimos impotentes e nos exigimos um perfeccionismo sobrenatural de nós mesmas.

Quando a minha filha nasceu, eu achava que ser Mãe era dar banho, amamentar e trocar fralda. Levar no pediatra, levar pra tomar banhos de sol. Mas diante de tantos acontecimentos no seu nascimento e na demora do parto, mesmo assim, eu não tinha dimensão das coisas que iria viver. Me vi mãe de uma criança com peso e estatura de um prematuro e com infinitas recomendações. Nos dias em que ela ficou internada entre a vida e a morte me falaram tantas coisas: Suspeita de Toxoplasmose, Meningite, que eu me perguntava se aquilo estava realmente acontecendo. Senti nesse momento o medo de ser mãe, de tantas informações e responsabilidades. De tantos " ses". 

Quando ela finalmente teve alta no nascimento, me vi cercada por fantasmas: Será que eu vou conseguir ser uma boa mãe? Será que irei dar conta, e tomar conta desse serzinho tão inocente e que requer tantos cuidados? Porque ser mãe de criança especial é uma responsabilidade muito grande!
Quando ela estava no seu 6º mês, começou a estimulação precoce: Fisioterapia, faz isso, faz aquilo, além das consultas e exames pedidos, e das intercorrências médicas que ela tinha devido ao refluxo que ela possuía. Quando ela tinha 2 anos, começou a hidroterapia, e migramos de uma universidade escola para outra. Até o momento em que ela não evoluía mais, e fui orientada procurar uma escola especial que tinha esses atendimentos terapêuticos embutidos. Foram anos de atendimentos ambulatoriais, onde aprendi e aprendo muito. Depois de um tempo, a sua vida escolar começou ser ativa.

Entre tantas dificuldades, dor, sentimentos de culpa que nós colocamos na nossa cabeça, sempre temos que ter a vontade de aprender. Temos as alegrias em coisas que as pessoas jamais entenderão. Nos superamos juntamente com eles. Esse amor e essa alegria nos faz esquecer a dura jornada de uma mãe especial. Não é uma rotina fácil, é verdade. Mas tenho a certeza que Deus nos guia fortemente. Cada lágrima que deixamos cair, Deus segura e transforma em alegrias. Alegria de ver nossos filhos sorrirem; alegria de ter nossos filhos saudáveis; alegria em cada pequena coisa que eles fazem; alegria de conseguir ter forças e saúde pra guiá-los e alegria por sermos elo de uma grande corrente de amor que a cada dia se torna mais potente.

O medo que ontem nos atormentava, quando olhamos para trás vemos que nem sombra são mais. Percebemos o quanto amadurecemos, crescemos, superamos, e que hoje conseguimos resolver as coisas com mais maturidade. É claro, que nosso coraçãozinho de mãe aperta. É claro que sofremos com coisas que eles passam. Mas, tudo isso passa porque Deus não nos desampara. Ele nos dá uma dádiva tão recompensadora, que por mais difícil que sejam algumas coisas, Ele está vendo tudo. Temos o amor dos nossos filhos, e temos a capacidade incondicional de amar como ninguém.

Um abraço carinhoso,

Adriana


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