25 de janeiro de 2015

Tortura Psicológica

Durante a espera de um exame presenciei uma mãe que sem perceber fazia a tal da tortura psicológica com a criança.
Muitas vezes, sem perceber é isso que se faz quando se reforça demais uma situação negativa que está prestes a acontecer. A criança sabia o que iria acontecer em um hospital, sala de exames. Ficar o tempo todo falando: Você vai fazer exame, é o mesmo que dizer: Você vai sofrer! 
Claro que não podemos tapar o sol com a peneira, e que sim, devemos informar o que vai acontecer. Mas ficar falando a todo momento, (e a criança chorava, se jogava no chão) é tortura.
Não podemos poupar nossos filhos de passar por momentos difíceis. Mas fazer desses momentos filmes de terror é torturante. 
A melhor saída para isso é sim informar o que vai acontecer, mas que vai passar.
A minha filha à medida que vai crescendo vai entendo isso cada vez mais. Algumas situações ela chora, reclama, mas em outras ela fica quietinha, eu explico o que está acontecendo e morreu o assunto. Porque é sempre assim: Se você ficar falando, ou se a criança ou pessoa chora e fala: Não chora, aí que ela chora mais!
Momentos bons e ruins fazem parte da vida, e não precisamos tornar as coisas mais difíceis ainda. 
Então, não faça tortura psicológica. Isso é muito ruim. A melhor coisa é ser realista com o momento, passar o tempo fazendo alguma coisa que distraí e acalma e usar o amor e carinho como alívios e afago na alma.

Adriana

19 de janeiro de 2015

O medo de ser Mãe

Ao nos depararmos com esse mundo de ser Mãe, o medo é algo natural. Passamos a ser responsáveis por uma vida tão indefesa, e sermos as guardiãs como leoas defendendo sua cria de predadores cruéis. No caso, os predadores que nos assombra, é essa rotina desconhecida onde muitas vezes nos sentimos impotentes e nos exigimos um perfeccionismo sobrenatural de nós mesmas.

Quando a minha filha nasceu, eu achava que ser Mãe era dar banho, amamentar e trocar fralda. Levar no pediatra, levar pra tomar banhos de sol. Mas diante de tantos acontecimentos no seu nascimento e na demora do parto, mesmo assim, eu não tinha dimensão das coisas que iria viver. Me vi mãe de uma criança com peso e estatura de um prematuro e com infinitas recomendações. Nos dias em que ela ficou internada entre a vida e a morte me falaram tantas coisas: Suspeita de Toxoplasmose, Meningite, que eu me perguntava se aquilo estava realmente acontecendo. Senti nesse momento o medo de ser mãe, de tantas informações e responsabilidades. De tantos " ses". 

Quando ela finalmente teve alta no nascimento, me vi cercada por fantasmas: Será que eu vou conseguir ser uma boa mãe? Será que irei dar conta, e tomar conta desse serzinho tão inocente e que requer tantos cuidados? Porque ser mãe de criança especial é uma responsabilidade muito grande!
Quando ela estava no seu 6º mês, começou a estimulação precoce: Fisioterapia, faz isso, faz aquilo, além das consultas e exames pedidos, e das intercorrências médicas que ela tinha devido ao refluxo que ela possuía. Quando ela tinha 2 anos, começou a hidroterapia, e migramos de uma universidade escola para outra. Até o momento em que ela não evoluía mais, e fui orientada procurar uma escola especial que tinha esses atendimentos terapêuticos embutidos. Foram anos de atendimentos ambulatoriais, onde aprendi e aprendo muito. Depois de um tempo, a sua vida escolar começou ser ativa.

Entre tantas dificuldades, dor, sentimentos de culpa que nós colocamos na nossa cabeça, sempre temos que ter a vontade de aprender. Temos as alegrias em coisas que as pessoas jamais entenderão. Nos superamos juntamente com eles. Esse amor e essa alegria nos faz esquecer a dura jornada de uma mãe especial. Não é uma rotina fácil, é verdade. Mas tenho a certeza que Deus nos guia fortemente. Cada lágrima que deixamos cair, Deus segura e transforma em alegrias. Alegria de ver nossos filhos sorrirem; alegria de ter nossos filhos saudáveis; alegria em cada pequena coisa que eles fazem; alegria de conseguir ter forças e saúde pra guiá-los e alegria por sermos elo de uma grande corrente de amor que a cada dia se torna mais potente.

O medo que ontem nos atormentava, quando olhamos para trás vemos que nem sombra são mais. Percebemos o quanto amadurecemos, crescemos, superamos, e que hoje conseguimos resolver as coisas com mais maturidade. É claro, que nosso coraçãozinho de mãe aperta. É claro que sofremos com coisas que eles passam. Mas, tudo isso passa porque Deus não nos desampara. Ele nos dá uma dádiva tão recompensadora, que por mais difícil que sejam algumas coisas, Ele está vendo tudo. Temos o amor dos nossos filhos, e temos a capacidade incondicional de amar como ninguém.

Um abraço carinhoso,

Adriana


5 de janeiro de 2015

Coisas que aprendemos nas idas ao Hospital.

Hoje fomos ao Hospital para a minha filha fazer exames de sangue e urina para a consulta com a Nefrologista.
2 horas em pé, esperando porque pacientes transplantados tem prioridade, só depois que a Jaque foi atendida, com apenas 1 enfermeira atendendo. Fora o calor infernal sem ventilador, nada. Até aí, a gente aguenta, mas fica de olho porque temos nossos direitos.

Daí uma tal lá começou a reclamar do atendimento preferencial, que ela havia chegado primeiro, e tal. Daí explicaram pra ela o porque. Eu mentalmente disse à ela : Minha senhora estamos todos no mesmo barco. É fácil falar que atendimento prioritário é errado. Quero ver um dia seu filho precisar de um transplante ou cadeira de rodas se pensaria da mesma forma. Sabe porque não falei? Porque a mulher era aquela típica " barraqueira" e não quis me desgastar. E porque muitas vezes a gente não precisa falar nada, se não temos paciência a vida ensina de algum jeito que temos que ter pra prosseguir mesmo sendo difícil. Muitas pessoas só aprendem e entendem quando passarem pela mesma situação e isso se tiverem sorte, amadurecimento e compreensão pra entender.

Olha entendo. Até porque criança independente de estar ou não na cadeira de rodas, é difícil ficar em jejum, com sono e esperando. Entendo que transplantados tenham maior prioridade até do que os cadeirantes, mas se colocarmos todos no mesmo barco , TODOS tem prioridade.

Algumas pessoas por saberem desse atendimento prioritário chegam atrasados e atendidos antes de quem está ali há um tempão. Outras pessoas chegam atrasadas porque acontece, não é culpa delas. Sempre vai acontecer de quem acabou de chegar ser atendido. Isso dá raiva, mas acontece em todo lugar.
Mesmo sabendo os direitos da minha filha, eu só intervenho quando vejo que a coisa extrapola. Estou há anos nesse Hospital, pra ser mais exata desde que a Jaque nasceu. Tem um ou outro funcionário folgado, médico arrogante, mas isso a gente reclama, porque ali sempre tive e tenho tudo o que a minha filha precisa, lá é o melhor pra ela, mesmo com a demora, atraso, gente pra caramba. Mas lá ela faz os exames mais complexos, lá nunca fiquei desamparada e sem solução. 

O mais difícil de tudo não é a rotina, os médicos, os exames. É enfrentar a cada dia pessoas só se preocupam com elas. Não estão nem aí com os outros. Falta de amor, de compaixão.
Ao mesmo tempo percebi mudanças enormes lá, e inclusive se pegamos senha eles brigam com a gente, uma vez que atendimento prioridade não precisa pegar senha porque é lei, e o Ministério da Previdência Social faz vistorias periódicas. Claro, tem coisas que precisam melhorar. O que eu procuro fazer é dar minhas sugestões junto a ouvidoria. E pra quem acha que não resolve, sou prova viva que sim, eles ouvem! Se volto lá e vejo que não mudou reclamo de novo, até arrumarem.

Sou grata a quem me estende a mão, mas opino quando necessário. O que me alivia é ver o sorriso de funcionários, de pessoas que ali encontro, que são hiper carinhosos com a gente, que quando dou aquele último suspiro, a pessoa do nada me sorri... E é por isso que sempre faço o mesmo, isso muda o meu dia, imagina o das pessoas.

Não somos nada. Viramos pó. As pessoas precisam aprender isso. Ao invés de ficar se lamentando, as pessoas poderiam conversar mais. Eu muitas vezes nem vejo a hora passar pois gosto muito de conversar com as pessoas que ali passam, compartilhar uma gotinha desse enorme oceano que se chama vida.
Outro dia, eu estava pensando em tudo que a minha filha passou. Quantas vezes me sinto fraca perto dela por tudo que ela passou e quando todo mundo achou que ela não ia aguentar, ela surpreendeu todo mundo? Não foi pouco o que ela passou. E o mais importante é que mesmo com momentos de dificuldade ela nunca perde o senso de humor, o jeito meigo, carinhoso e forte de ser.

O que aprendo em corredores de hospital? Muita coisa! Desde que ela nasceu, eu procuro ouvir muito as pessoas. Sabe o que me faz bem? Não é só falar de tudo que ela passou, e sim mesmo sem conhecer as pessoas perceber no rosto delas o quanto de alguma forma fomos importantes pra que ela enxergue a vida de outra maneira. Em um mundo em que o amor anda em extinção, às vezes é bom que esse mesmo mundo leve uns bons tapas na cara!

(Adriana )