14 de novembro de 2014

Comportamento dos nossos filhos

Nossos filhos devido ao histórico deles, seja por Paralisia Cerebral ou uma Síndrome, possuem certos "padrões" de comportamento. Justificados pelo diagnóstico, e percebo que muitos tem coisas em comum, mas isso não deve ser motivo pra fazer o que se quer de forma descontrolada. Dependendo do caso, temos que ficar adivinhando, observando, percebendo o que isso quer dizer não é mesmo? Muitos falam onde dói, ou se comunicam de alguma forma, mas nem todos são assim.

A minha filha fala algumas coisas, e outras são percebidas pelo comportamento. O que faço é sempre perguntar à ela e tentar entender o que ela quer dizer. Se está com dor eu percebo que ela se queixa, se quer comer ela fala, e se está incomodada com algo ela fecha a cara na hora. Nem sempre foi assim, pois ela não se comunicava, e depois de conversar muito com ela no dia a dia, de estimular, de levar em outros ambientes, de ter uma vida escolar isso melhorou.

Alguns comportamentos, assim como de toda criança são meros artifícios de manipular. Pois percebem qual lado tem uma tendência a ceder às suas vontades. Daí você pode pensar: - Poxa, essa criança já tem limitações, dificuldades e não vai fazer tudo o que ela quer? Eu respondo: - Depende! Sempre fui orientada em questão de manter a rotina, a disciplina. Salvo algumas exceções em que a rotina foge do nosso alcance devido a tantos compromissos, rotinas médicas e afins. 

Eu sempre penso assim: Tudo tem hora, e não tem problema que não tenha. O problema é quando extrapola, vira vício e se torna demais e que possa prejudica-la ou que deixe uma tendência que só porque ela percebeu que pode, vai fazer sempre naquela situação. Sei que é difícil a gente negar qualquer coisa a nossos filhos, e queremos dar tudo. A minha preocupação é que nunca lhe falte amor, e não falte aquilo que ela precise pra ter uma vida confortável. 

Existem comportamentos também em que eles não estão satisfeitos com algo e mostram isso no olhar. Observo muito isso também. Percebo que todas as crianças especiais tem um temperamento muito forte e próprio e acho isso o máximo. Se eles gostam eles gostam, mas se não gostam... não adianta! Isso é de personalidade deles. Mas também não podemos confundir isso e deixar fazer o que querem. Prezo sempre pelo equilíbrio, porque tudo que é demais estraga. Ao mesmo tempo que ser rígido demais não é bom pra ninguém.

Sou muito atenta as queixas e vontades dela. Ela nunca havia tomado sorvete por exemplo. Um dia meu marido tomando disse: Coloca um pouco e dá pra ela. Antigamente eu morria de medo de dar algo gelado e ela ficar doente. E como ela tem alteração de colesterol e triglicérides (mesmo sendo magra) a alimentação dela não tem excessos. Então o cuidado é sempre com a quantidade. Adivinha? Ela adorou! E agora o cuidado é porque quando eles descobrem essas coisas eles querem toda hora! Tomei o cuidado de comprar um sorvete feito com leite desnatado (light) e ela gostou do mesmo jeito. E não dou todo dia não. Mas se ela pedisse pro pai, ele daria todo dia! Mas comemoramos com cada coisa que ela faz. E ela é esperta demais! Até mentirinhas ela fala!

Sempre temos uma corda que tem tendência mais para um lado. Não tem jeito. Mas é preciso haver um acordo, porque senão quem vai ser seu pai e sua mãe são seus filhos. Vejo muito isso por aí, pura falta de pulso e isso torna os filhos mimados (sendo especiais ou não). Não podemos pecar pelo excesso de mimo, e nem pela rigidez excessiva, e nem permitir que eles sejam assim com as pessoas e com eles mesmos. É muito ruim ver um filho que se poda o tempo inteiro e se pune por reflexo do que recebe em casa, ou aquele que é mimado demais, não tem limites pra nada e quer fazer o que bem entende e o que ele quer é lei.

Hoje já não possuo aqueles medos de mãe iniciante mesmo sabendo que nossa filha precisa de alguns cuidados especiais. Inclusive percebi que depois que eu mudei ela parou de ficar doente. Alguns comportamentos deles são meros pedidos de atenção e temos realmente que observar o que é real ou não. O que é uma queixa de algo diferente acontecendo. O que é aceitável dentro do diagnóstico dele, e colocando em mente se isso está ou vai prejudicá-lo e afetar demais a rotina e a casa como um todo. E em outras situações e vivências o comportamento dos nossos filhos é o reflexo do que andamos fazendo. Então minha dica é sempre prestar atenção, e se não conseguir resolver algo, procure ajuda de um psicólogo. Sempre tive esse auxílio e hoje não uso mais, mas se precisar eu peço ajuda. 

A Ajuda da psicóloga me ajudou muito a me entender, a entender a minha filha, ouvir e a interpretar e trabalhar o meu sexto sentido de mãe especial.Porque muitas vezes a gente tem a mania de achar que vai manter tudo sob controle e não somos perfeitas. E se podemos ter ajuda de alguém especializado porque não? Não sabemos de tudo, nem somos mulheres maravilha! Sempre me permito a receber ajuda e a dialogar sempre!

Espero ter ajudado em algo, e até a próxima postagem!
Deus abençoe!

Adriana Silva