30 de outubro de 2014

Falta de profissionalismo e falta de humanidade das pessoas.

Ao longo desses 15 anos que sou mãe da Jaqueline, já enfrentei pessoas que na minha visão e opinião nem posso qualificar como profissional ou até pessoa. Pra mim ser uma pessoa profissional está muito além do que fazer algo. Está nas suas atitudes humanas. Está em ter " tato" para lidar com as emoções humanas, principalmente de nós mães. Pra mim ser uma pessoa é ter consideração pelo seu semelhante.

Tive situações que nunca me esqueço:

A primeira foi quando ela nasceu. A Enfermeira que me orientava na alta dela, quando ficou na UTI neonatal falava comigo como se eu fosse uma incapaz. Perguntava se eu havia entendido, falava alto como se fosse um sargento de exército. Respondi à ela: - Você acha que está lidando com quem? Eu entendi sim o que você disse e não quero mais que você cuide da alta dela. Procurei o médico e desci com outra enfermeira.

A Segunda foi quando uma oftalmologista nitidamente me mostrou insegurança ao atender ela. Eu eu vendo e ouvindo as palavras dela disse: - Se você não consegue atender a minha filha e tem medo por ela ser especial, me avise que procuro outro. E foi isso que fiz.

A terceira foi quando procurei uma entidade muito conhecida, as pessoas que ali trabalham nos atenderam muito mal, mesmo a gente pagando pra fazer um serviço, pois lá é uma espécie de "rodinha" só os que lá estão tem vez. E essa não é uma opinião e sensação minha. Muitas pessoas que conversaram comigo me disseram o mesmo. Não fui mais ali. Uma Terapeuta Ocupacional me atendeu de má vontade, e ninguém disposto a ajudar e mesmo pagando (consegui que a prefeitura pagasse), tinha que implorar praticamente. Ao mesmo tempo que isso aconteceu uma pessoa se dispôs ajudar pra que não esperássemos tanto. Sei talvez vou precisar dos serviços desse lugar, mas me senti muito humilhada e injustiçada nesse local.

A quarta é a mais recente foi de uma grosseria sem tamanho, tanto que prometi a mim mesma não deixar mais barato denunciando a médica na ouvidoria. Além de grossa era seca, arrogante e fiquei calada porque precisaria da conduta médica dela. Mas fiquei tão nervosa que a minha vontade era dar uns berros ali, dar um tapa na mesa e dizer: Quem você pensa que é hein? Mas infelizmente se fazemos isso enfrentamos a lei do desacato. Ela simplesmente interrompia as informações que eu dava com estupidez, questionando e me tratando como uma pessoa que não sabe de nada.

Ou seja : Além de termos que correr entre um local e outro temos que passar por isso? Somos mães e cuidadoras dessas pessoas e ainda temos que ser questionadas, ou não ouvidas e mal atendidas? Existem sim mães que não cuidam bem dos filhos, e isso é lamentável. Mas não é esse o meu caso, e quem acha que não está bom, que fique um dia no meu lugar. Pessoas pra julgar, aparecem aos montes, mas pra ajudar não aparece uma sequer!

Falta um atendimento humano com as mães especiais. As pessoas precisam entender que temos sentimentos, que temos responsabilidades enormes, que temos também que superar nossos próprios limites, cansaço, dor. Falta olhar com mais respeito, com mais amor. E cabe a nós também tomarmos atitudes. Se algo não está bom: Reclamar, procurar outro lugar, outra pessoa. Dar as costas para a ignorância e se isso não for possível, contestar, argumentar, falar. Muitas vezes a gente "engole sapo" mesmo. Mas ao fechar a porta temos que procurar o superior daquela pessoa e dizer: Fui muito mal atendida por tal pessoa e dizer nome e sobrenome.

Vejo mãezinhas passando por situações semelhantes e sempre vamos passar. Não podemos ser coniventes, e com a nossa maturidade vamos aprendendo a ter posicionamento. Muitas vezes a ignorância das pessoas é tão grande que é preciso deixar falando mesmo. É fato que isso cansa. Só nós mães sabemos a luta que travamos, sobre as coisas que enfrentamos, sobre o que temos em nossas mãos. Não desprezo o conhecimento de algumas pessoas, mas quero dizer que isso não é tudo. Acho que estamos aqui pra aprender de forma recíproca. Se as pessoas não se abrem para trocar conosco algo positivo, uma pena para essas pessoas! Ao mesmo tempo que nos deparamos com pessoas que não querem entender nem aprender, encontramos em nosso caminho pessoas que fazem questão de se envolver no caso, ajudar, aprender, dar uma saída. Isso se chama amor ao que faz e amor ao próximo. 

Não podemos nos estressar, pois temos muita coisa a fazer e a viver com nossos filhos! Mesmo sabendo que isso é inevitável. Temos pessoas raras em nossas mãos pra cuidar e mesmo com tudo que passaram são felizes e cheios de amor em seu coração. Porém nossas atitudes por vezes é reflexo do que recebemos, e não podemos deixar de nos indignar, mesmo sabendo que existem pessoas de todo tipo nesse mundo. Porém temos muita coragem e fé para seguir, mesmo que de vez em quando nos deparamos com situações que nem deveríamos passar. Mas que isso seja sempre um aprendizado, um elo, em que nós mães busquemos dentro de nós muita força para lutar e sorrir com cada vez mais força!

Dedico esse post a uma mãe que ao ler o desabafo dela me propus a escrever esse post, baseado nas nossas vivências. Sempre nos identificamos. Acho ela uma guerreira, e a filhota também (Thaís e Yume) E acima de tudo pessoas lindas, amorosas e felizes. Se as dificuldades aparecem o amor recobre tudo. Dedico a todas as mães que passam por inúmeras coisas todos os dias e cada uma ao seu modo.

Um grande abraço,

Adriana