17 de agosto de 2014

Sinais

Tudo tem um porquê nessa vida.

Quando eu era criança, tive contatos com pessoas especiais.
Pessoas especiais é um termo que usamos, mas que deveria ser usado à todas às pessoas. Nos referimos assim, talvez com termo errado, mas muito melhor dos que usados antigamente:  Mongoloide, Débil Mental, Retardado e por aí vai. Usamos esse termos pra falarmos que essas pessoas precisam de atenção e cuidados especiais.

Eu tinha atitudes diferentes das outras crianças. Sempre me aproximava dessas pessoas, era amiga e defensora fervorosa delas! Ofender à elas era me ofender. Sofri discriminação na escola, era perseguida porque usava óculos, porque usava tampão e sabia muito bem como era o sentimento. E não só por isso. Eu era assim! Gostava de verdade dessas pessoas. As olhava com compaixão. Com amor. Com amizade.

Convivi com pessoas com Retardo Mental grave, e com uma amiga com paralisia infantil. As pessoas da sala não se aproximavam exceto eu e 2 amigas com pensamentos em comum ao meu. Eu notava que as com retardo mental não tinham capacidade de acompanhar o conteúdo escolar. Estavam inclusas, mas excluídas da proposta do estudo. Uma se irritava com a notas ruins, ou com a incapacidade pra acompanhar a aula e tinha surtos de nervoso, e muitas vezes arremessava tudo que estava à sua frente. Também se irritava se alguém a observava muito, já achava que iam rir. Uma moça muito bonita, de família com posses.
A outra precisava ficar de olho. Se deixasse ela entrava no carro de qualquer um.
A com paralisia infantil ninguém sentava do lado dela quando era pra fazermos trabalhos em grupo. Rapidamente eu e mais duas juntávamos as carteiras e lá estávamos!

Com o tempo fui entendendo o sentido de viver essas coisas. Mais tarde me encantei por Genética. Era uma matéria difícil, mas o jeito que a professora ensinava me fazia interessar cada vez mais.
Tudo que eu vivi de maneira direta influenciaram a minha vida e me facilitaram muitas coisas. Meu modo de encarar as dificuldades, de entender os termos médicos, a perguntar, a me inteirar, a ser curiosa. O contato com pessoas me ensinaram a ver meu lado amigo e auxiliador.

Relatei esses acontecimentos para falar dos sinais que a vida nos dá. Muitas vezes somos pegos de surpresa com esse novo mundo mas com certeza nos tornaremos pessoas muito melhores, maiores se assim quisermos e poderemos ensinar, aprender muito com esse acontecimento especial e podemos sim mudar a nossa sociedade, nem que seja uma parcela bem pequena com nosso exemplo, se elas estiverem abertas à isso também se transformarão como temos nos transformados. Poderão olhar de uma forma mais bonita para a vida e não olhar tudo como um castigo e sim como uma oportunidade.

(Adriana)


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