30 de agosto de 2014

Pessoas Especiais X Drogas

A cada dia que passa as drogas são corriqueiras em todos os ambientes. Uma realidade triste e difícil. Mais triste ainda quando pessoas se aproveitando da inocência dessas pessoas oferecem drogas. Muitos são independentes, vão e voltam sozinhos para escola, e muitos tem a audácia de oferecer isso à eles.

Os pais devem ficar muito atentos a qualquer comportamento diferente ou agressivo. Revistar mochilas e apesar de deixar eles serem independentes participar ao máximo que puder de seus passos. Em muitos casos qualquer dinheiro que eles carreguem seja pra um lanche, uma condução pode ser direcionado pra esse vício.
A participação deve ser efetiva, tanto da escola como dos pais, psicólogos, família.

Muitas vezes não se percebe que o filho está sob efeito de droga por causa do seu comportamento acharem que é preciso mudar a dose do medicamento seja calmante e remédios pra convulsão. Mas deve se ficar atento. Quando falo de drogas me refiro a todas alucinógenas, o tabaco, o álcool, e afins.

O trabalho multidisciplinar e a conscientização devem ser trabalhados na escola e colocado em seu curriculum escolar. Eles devem perceber os danos que isso traz, a importância de conversar sempre com seus pais, professores, terapeutas e serem tiradas todas as dúvidas. Antes havia um tabu que não poderia se falar sobre esse assunto, que isso despertaria maior interesse ainda deles. Hoje, vejo cada vez mais as escolas tocando nesse assunto com eles porque eles devem saber o mundo real que os cerca e que qualquer limitação que eles possam ter não impede de essa realidade acontecer também com eles. Assim como todos os assuntos devem ser ditos, conversados. Comportamentos depressivos, sexo, drogas debatidos sempre. 

É de extrema importância eles participarem de palestras educativas, de terem acesso à panfletos explicativos  e de todo um suporte pois assim como nós são pessoas que pensam, sentem, com vulnerabilidade às realidades cotidianas e omitir-lhes qualquer direito à informação pode causar um efeito contrário e de isolamento, o que dificulta muito qualquer posicionamento em relação as providências a serem tomadas.


Auto Estima

Todo ser humano necessita de ênfase nas suas qualidades. E não nos defeitos.
Os efeitos da negatividade em relação à aparência das pessoas além de gerar desconforto físico, gera o incomodo emocional enorme.

Destaco aqui a importância de frisar em Pessoas Especiais as suas qualidades. Infelizmente a nossa sociedade prioriza a aparência física e seja a ser cruel com quem não está "adequado" aos padrões. Vemos isso na mídia, nos jornais, nas revistas. Vemos isso na vida!

Todas as pessoas precisam da auto estima. Ela é o passaporte para todas as outras coisas que possa fazer em sua vida. Uma pessoa com problemas com ela dificilmente consegue avançar nas outras áreas da vida. É como se sentir rejeitado, no fundo do poço, sem serventia, sem valor e nas piores definições: Se sente um lixo!

As pessoas tem por hábito apontar os defeitos uns dos outros. E não precisamos fazer isso com nossos filhos. Afinal, eles são o que são porque nós que fizemos não é mesmo? Então pra quê ficar colocando defeito no filho? Acho isso péssimo! Enfatize as qualidades do seu filho. Porque apontar os defeitos todo mundo sabe fazer. Fale sempre dos seus pontos fortes, das suas qualidades, do seu caráter, do seu jeito lindo de ser.

Sempre fui orientada a fazer isso com a minha filha. Não como uma recompensa por "lhe faltar algo" mas sim como um estímulo para ela vencer. Nem precisaria desse conselho porque por instinto sempre enfatizei suas qualidades. E isso deu um resultado maravilhoso pois uma pessoa confiante e acreditando em si mesmo tem a oportunidade de crescer, de melhorar, de superar. E hoje, e desde sempre aliás, ela é uma pessoa vaidosa, que gosta de se sentir bonita e que passou a prestar atenção em tudo que eu fazia como uma necessidade básica, e inclusive me cobrando caso eu esqueça. Por exemplo: Passar sempre um hidratante após o banho, um perfume, um creme de pentear no cabelo. Ela sempre foi tendo isso como algo que a deixava cheirosa, limpa e cuidada. Pra ela isso é indispensável. Isso reforça seu bem-estar então é como escovar os dentes, uma necessidade diária de afeto de mim para com ela, e para ela mesma.

Eu percebendo as coisas que ela gosta, fui respeitando e respeito sempre. Isso a tornou uma pessoa confiante, que nem percebe suas limitações, que se sente bem, amada, querida, respeitada e com sua personalidade própria. Com esses reforços de : Como você é linda, inteligente ou : Você consegue, ou conseguiu! É uma ênfase que estimula, impulsiona diretamente.

Muitas pessoas usam as críticas do mal pra dizer que isso ajuda as pessoas. Algumas vezes analisando aqui comigo algumas críticas que recebi me serviram pra analisar aquilo e não querer mais passar por aquilo. Ao mesmo tempo, algumas críticas impregnam em nós e se alastram de forma perigosa. Até a gente perceber que a opinião do outro é do outro e que a nossa deve prevalecer pode ser um longo caminho de sofrimento, ou quem sabe por uma vida inteira.

Então, pense bem ao lançar palavras negativas ao seu filho. É claro que é preciso dizer algumas coisas, mas tenha cuidado. Quando você elogia verdadeiramente algo nele você dá uma chance maravilhosa para que ele progrida. Tem um ditado que diz que quando apontamos o dedo para alguém três ficam voltados para nós. Então é preciso avaliar-se antes de criticar alguém. Dê um espelho à quem te critica. Não deixe com que a crítica que te fazem te faça refletir o mesmo quando se olhar no espelho. Seja mais você sempre e ensine isso ao seu filho e seja isso com você mesmo para que ele tenha em você um exemplo!

Adriana

25 de agosto de 2014

A pressão psicológica que fazem em mães especiais

Eu sou da seguinte opinião: Quer criticar? Pois bem: Ajude! 
Faça melhor! Pague as minhas contas! 
Simples assim! 
Uma coisa é uma crítica construtiva, ou merecida. 
Outra são críticas que deixam mães cada dia mais cansadas numa rotina enlouquecedora que elas já possuem. 
As pessoas falam isso, falam aquilo, como se essas mães fossem máquinas e fossem obrigadas a serem como muitos acham que deve! 
Faça-me o favor! 
Ao invés de fazer pressão, de ficar criticando, destilando veneno, de falar mal: Ajude! 
Vai cuidar da sua vida! 
Olha eu nem escuto gente assim. Viro as costas e não tenho mais paciência pra gente maldosa. Entra em um ouvido e sai pelo outro. Só me acrescenta palavras de bem querer e de preocupação de verdade. Porque muitas vezes as pessoas querem especular mesmo a vida alheia, colocar o dedo na ferida.
As pessoas não sabem metade do que se passa na vida da gente. Portanto, tem uma frase mais ou menos assim: Calce meus sapatos e percorra o caminho que percorri. 
Respeito é bom e todo mundo gosta! Não tem nada de bom pra falar? Fique calado.
Responda assim! As pessoas precisam se colocar no lugar delas.

 

22 de agosto de 2014

A Sexualidade em Pessoas Especiais

Pensei muito antes de escrever essa pauta. Até porque em determinados assuntos temos que tomar cuidado. Pensei em pegar na internet. Mas isso todos vocês podem fazer colocando no google. O diferencial desse blog são vivências e como lidamos com elas, como percebemos as coisas e como vejo a forma que as demais pessoas as levam.

Percebo nitidamente a sexualidade aflorada em Pessoas Especiais. O interesse no sexo oposto, o interesse no namoro, no abraçar, beijar, ter uma vida afetiva.
Muitas pessoas acham que eles não tem essa capacidade ou necessidade, acham até que essas pessoas não tem esse direito. 

Sempre penso comigo que eles precisam ter uma supervisão, uma orientação como qualquer pessoa precisa ter. Eles também sabem sim o que estão fazendo, sabem muito mais do que nós em algumas vezes. Muitos dizem que é instintivo. Mas eles passam pelas mudanças, pela puberdade, pela adolescência. Todo mundo passou por isso e sabe como é.

Precisam ter limites. Precisam de amparo psicológico e educacional. Precisam de conversas abertas com profissionais e família. Precisam estudar o assunto. Acho que melhor estudar isso com pessoas que vão lhes orientar corretamente do que aprenderem por aí de forma errada e irresponsável. Cabe aos pais interferirem quando algo é negativo ou que possa violar uma segunda pessoa e até eles mesmos. Precisam de observações atentas sempre!

Passei por algumas situações com essas pessoas. Algumas pessoas já me orientaram, já relatei o ocorrido com outras que poderiam tomar alguma atitude em relação ao comportamento. Tem que se tomar cuidado pois  assim como tem atitudes extremas de carinho, outras com conotação sexual e outras violentas, não podemos confiar pois tanto faz vir um beijo, um abuso ou um puxão de cabelo ou tapa.

Os Pais devem procurar ajuda da escola e de toda uma equipe multidisciplinar e continuar o trabalho em casa. Aliás essa é a parte mais importante. Porque já vi muitos casos em que ouvi a seguinte frase: Deixa, ele é um homenzinho! Acho isso totalmente machista! Isso também é responsabilidade dos pais se acontece alguma coisa em que se fugir do controle. E não é só meninos, meninas precisam ter limites. Elas são extremamente vaidosas, até porque elas necessitam da auto estima reforçada pois como tem algumas " faltas" - se assim posso dizer, precisam lembrar o tempo todo que são pessoas lindas apesar de seu diagnóstico ou sua dificuldade. Isso atraí os meninos. 

Vejo muitas paqueras no mundo especial, acho até divertido. Porque na nossa sociedade atual, onde tudo é rápido demais, onde valores e o flerte se perderam dando lugares ao "pegar" ou "ficar", isso é raro. Mas também há abusos e estes requerem atenção máxima. Hoje a tecnologia avança a passos largos e todas as pessoas tem acesso fácil à informações e a conceitos também errados sobre tudo. Aí que mora o perigo.

Eu observo muito o comportamento dessas pessoas. Minha filha frequenta uma escola especial, e outro dia observava o assunto deles. Sempre tem um grupo que se reúne e conversa.  O papo? Normal! - Você viu que a fulana tá namorando beltrano? - Fulana gosta de beltrano. Ou então: - Você assistiu tal programa de TV? 
Então me pergunto:  - Como algumas pessoas podem afirmar que essas Pessoas são incapazes? 

Se eles tem opiniões, desejos, preferências? Tem! Cada um do seu jeito. Apesar de suas limitações, eles são Pessoas. Então eu sempre afirmo quando perguntam sobre a minha filha por exemplo. Ela é uma Pessoa. Todos nós temos limitações e isso é maravilhoso porque se todo mundo fosse perfeito, esse mundo seria muito chato, e viva as diferenças porque são elas que nos alavancam à um montão de possibilidades e aprendizados! Se eu não tivesse a minha filha jamais eu conseguiria talvez escrever com tal percepção nem ser a pessoa que me tornei hoje.

(Adriana)

21 de agosto de 2014

Apego

Uma pessoa sempre me dizia (referindo-se à irmã que tinha uma filha especial) sobre o apego dela com aquela menina. Daí me perguntava: "Como pode haver uma mãe que não tem apego ao seu filho sendo que ambos foram ligados por alma, coração, carne e cordão umbilical ? Difícil isso. (Apesar de algumas que vemos por aí nem merecerem ser mães) Ela se referia como o ato da irmã fosse errado. - Ela tinha um apego enorme naquela menina! A vida dela era ela! 

Mães especiais precisam de dedicação a mais. Não tem jeito. Vejo muitos filhos partirem antes das mães. Assim como mães que partiram e logo em seguida os filhos também. Acho que é preciso ao mesmo tempo deixar espaço para que esse filho seja ele mesmo independente da sua dificuldade. E a mãe idem. Ter o espaço que ela tanto precisa pra que o apego não vire uma necessidade.

Sei que muitas mães abdicam de muitas coisas por um filho. Independente de ser mãe especial, todas fazem isso. É algo instintivo. Vejo também mães (enquadro todas nesse meio, especiais ou não) que tem verdadeira obsessão pelo filho. Muitas não deixam ele nem viver direito. Isso já acho que precisa de equilíbrio porque essa atitude impede não só ele de viver e respirar mas ela também. É algo que afeta ambos e todos ao redor.

É inevitável que a nossa vida gire em torno deles. Precisam do nosso amor, dos nossos cuidados, e dizer pra uma mãe não ter apego ao seu filho, é o mesmo que dizer que ela não é mãe. Porque todas nós temos sim apego, afinal nossos filhos são a metade de nós, e arrisco a dizer que são 99% porque nossos braços, nossas pernas, nosso coração, são muito mais extensos não apenas por necessidade e sim por amor!

(Adriana)

17 de agosto de 2014

Sinais

Tudo tem um porquê nessa vida.

Quando eu era criança, tive contatos com pessoas especiais.
Pessoas especiais é um termo que usamos, mas que deveria ser usado à todas às pessoas. Nos referimos assim, talvez com termo errado, mas muito melhor dos que usados antigamente:  Mongoloide, Débil Mental, Retardado e por aí vai. Usamos esse termos pra falarmos que essas pessoas precisam de atenção e cuidados especiais.

Eu tinha atitudes diferentes das outras crianças. Sempre me aproximava dessas pessoas, era amiga e defensora fervorosa delas! Ofender à elas era me ofender. Sofri discriminação na escola, era perseguida porque usava óculos, porque usava tampão e sabia muito bem como era o sentimento. E não só por isso. Eu era assim! Gostava de verdade dessas pessoas. As olhava com compaixão. Com amor. Com amizade.

Convivi com pessoas com Retardo Mental grave, e com uma amiga com paralisia infantil. As pessoas da sala não se aproximavam exceto eu e 2 amigas com pensamentos em comum ao meu. Eu notava que as com retardo mental não tinham capacidade de acompanhar o conteúdo escolar. Estavam inclusas, mas excluídas da proposta do estudo. Uma se irritava com a notas ruins, ou com a incapacidade pra acompanhar a aula e tinha surtos de nervoso, e muitas vezes arremessava tudo que estava à sua frente. Também se irritava se alguém a observava muito, já achava que iam rir. Uma moça muito bonita, de família com posses.
A outra precisava ficar de olho. Se deixasse ela entrava no carro de qualquer um.
A com paralisia infantil ninguém sentava do lado dela quando era pra fazermos trabalhos em grupo. Rapidamente eu e mais duas juntávamos as carteiras e lá estávamos!

Com o tempo fui entendendo o sentido de viver essas coisas. Mais tarde me encantei por Genética. Era uma matéria difícil, mas o jeito que a professora ensinava me fazia interessar cada vez mais.
Tudo que eu vivi de maneira direta influenciaram a minha vida e me facilitaram muitas coisas. Meu modo de encarar as dificuldades, de entender os termos médicos, a perguntar, a me inteirar, a ser curiosa. O contato com pessoas me ensinaram a ver meu lado amigo e auxiliador.

Relatei esses acontecimentos para falar dos sinais que a vida nos dá. Muitas vezes somos pegos de surpresa com esse novo mundo mas com certeza nos tornaremos pessoas muito melhores, maiores se assim quisermos e poderemos ensinar, aprender muito com esse acontecimento especial e podemos sim mudar a nossa sociedade, nem que seja uma parcela bem pequena com nosso exemplo, se elas estiverem abertas à isso também se transformarão como temos nos transformados. Poderão olhar de uma forma mais bonita para a vida e não olhar tudo como um castigo e sim como uma oportunidade.

(Adriana)


16 de agosto de 2014

Inclusão Social e Acessibilidade a todos.

O que é preciso para haver uma inclusão social efetiva ?
E a tal acessibilidade?


Inclusão Social

Esse assunto é bem amplo. Sabe que reparo muito nas tentativas de se incluir pessoas.
A inclusão depende de boa vontade de algumas pessoas, e a acessibilidade também.
Depende de profissionais, depende de muito amor. De dedicação. De entender o ser humano que possui dificuldades. Por mais entendimento no assunto, nada valerá se não vivenciar as dificuldades.

Acessibilidade

E facilitar os acessos não é uma preocupação de todos. Preocupam-se em resolver rápido, e esse assunto abrange muitas outras coisas e a principal que acho é o bem estar das pessoas.
O que podemos fazer é reclamar e sugerir nesses locais. Não podemos ficar de braços parados esperando que algo aconteça. Mesmo que nada conseguimos, pelo menos fizemos.
Resolvem porque é lei. Poucas pessoas de fato se importam com o sentido real dessa ação. De pensar: Como gostaria de ser tratado se eu precisasse de acessos facilitados?


"Tanto para dar acessibilidade quanto inclusão é preciso fazer direito. Não resolve coisas pela metade que prejudicam as pessoas e as fazem sentir incapazes. O mundo precisa se adequar à essa realidade e me pergunto o porquê ainda é tão pobre de atitudes. E sempre é preciso ser avaliado essas adequações, cobrado e ajustado. Não adianta fazer e deixar ali parado. Deve haver uma mobilização de quem se propôs a fazer em questionar se está tudo saindo da melhor maneira à quem necessita desse amparo. Falando mais claramente: Se colocar no lugar do outro e perceber suas reais dificuldades" .

13 de agosto de 2014

As respostas que as pessoas tem na ponta da língua.

Dificilmente eu tenho problemas com funcionários do hospital que levo minha filha. Mas hoje aconteceu o seguinte:
Entreguei o pedido médico do exame dela, e grampeado estava uma outra folha com as consultas médicas e o agendamento do tal.
A mesma que pegou a ficha da minha filha e disse pra eu aguardasse, minutos depois chama o nome dele e diz: - Senhora sem o pedido médico a Jaqueline não pode fazer o exame! (Claro que eu sei disso, jamais levaria ela pra fazer um exame sem o pedido médico).
Eu rebati: Mas o pedido está grampeado.
Ela disse: - Não está, a senhora não trouxe!
Eu disse: - Claro que trouxe, alguém tirou, olha o buraco que ficou no papel. Alguém tirou!
Ela disse:  - Quem tirou? Você viu alguém mexer?
Eu disse: - Não vi, mas lembro que entreguei à senhora quando cheguei.
Avistei o pedido médico perto do mouse e disse: - É aquele ali!(Reparei porque vi o pedido de urgência).
E só aí depois de minutos que eu havia chegado que cadastraram ela.
Apesar disso, a tratei com educação porque sempre precisamos das pessoas. Ao mesmo tempo que as pessoas são pagas pra estarem ali. Só acho que é fácil dar resposta na ponta da língua e não prestar atenção ao que faz ou aquela voz alta ninguém merece!
Eu poderia ter dado queixa na ouvidoria mas não fiz.Estava concentrada no exame da minha filha. Só de ela ter percebido o erro dela, acho que vai prestar mais atenção. E não terá próxima vez. Se acontecer alguma coisa novamente, darei queixa.
Mas o pedido de desculpas não veio, e eu sentei. Uma outra mãe olhou pra mim e acenou com a cabeça tipo dizendo: Que arrogância!
Sei que errar humano. Mas humildade e humanidade não faz mal a ninguém!

11 de agosto de 2014

O Fantasma da Depressão.

Muitas pessoas já tiveram ou vão descobrir que tem a tão temida Depressão.
O fato é que alguns fatores contribuem para tal, um deles é o fator genético ou seja, algumas pessoas já nascem predispostas a terem essa "doença".
Só quem já passou sabe como é. Independente de genética ou não, seja lá qual for o momento que desencadeou isso, é algo muito triste.
Tive o primeiro contato com a depressão ainda criança. Meus pais passavam por problemas financeiros, e eu sempre vivia os problemas deles, me preocupando como uma pessoa adulta. Só hoje consigo identificar esse meu primeiro frente à frente com ela.

Mais tarde, em algumas situações da minha vida, à enfrentei várias vezes. A depressão é algo tão ruim que nos deixa totalmente impotentes e paralisados. Eu nunca demonstrei, então quando eu contei que estava em meio à uma crise algumas até se assustaram. Já outras disseram: Depressão porque? Eu pensava comigo: Oras, será que depressão tem justificativa? Será que tenho que abrir o motivo, ou às vezes nem saber e me sentir culpada por isso?

A maioria das mães especiais já tiveram contato com a Depressão, Síndrome do Pânico por exemplo. Muitas não reconhecem o problema, e outras não terão. O que eu observo é que na maioria do tempo estamos tentando ou de fato sendo fortes. Abraçando o mundo, levando o mundo nas costas. E inevitavelmente não aguentamos. Isso desaba em forma de depressão.

Como viver com isso, tendo uma vida cheia de responsabilidades, lutas, conflitos? - Não é fácil, pois é uma luta diária.
Mas como se cura a depressão?
Se você reconhece os seus conflitos, os seus problemas, e consegue chegar na raiz do problema você estará curado, mas saberá que se não trabalhar sempre essa raiz, o problema vai voltar.

Na época em que passei com uma Psiquiatra, meu marido ficou assustado. Eu também. Só tomei a medicação que me receitaram por 2 meses e logo em seguida minha filha estava operando da coluna, então fiquei meses sem sentir aquelas coisas, por estar ocupada demais.

Muitas pessoas acham que a depressão é falta do que fazer. Engano delas! É claro que ocupar seu tempo vai te fazer esquecer os pensamentos ruins. Ser produtivo, útil, fazer atividades físicas, atividades ocupacionais, entre outras coisas. Mas muitas pessoas também sequer tem força pra levantar. Tudo é difícil, até um simples banho.

Quem já teve depressão como eu, precisa sempre se policiar. Acho que só melhorei quando me conscientizei dos meus problemas internos. Quando percebi que é cada dia de cada vez, e que não sou perfeita, a ficha caiu! Quando parei de me deixar afetar por coisas que eu não deveria abraçar, quando eu tinha que fazer as coisas por partes pois a vida de mãe especial não é fácil!

Descobri a atividade física. Primeiro por necessidade para uma vida saudável. Depois como uma aliada. ma válvula de escape. Um prazer. Outro ponto que desencadeia uma depressão é quando você se anula. Quando você vive muito só para os outros. E quando na sua vida não há uma lista de prazeres. Todos nós precisamos de momentos conosco. Sei que é difícil, mas sou o exemplo vivo de superação. Não precisei ficar fazendo terapia, nem tomando medicamento. Coloquei minha força de vontade, de vencer em primeiro plano. Percebi que se tinha força pra fica no baixo astral teria força para buscar meu bem estar.

Se existisse uma fórmula contra a Depressão seria maravilhoso. Infelizmente vejo muitas pessoas sofrerem desse mal. Eu nunca aceitei ficar daquela forma. Demorei um pouco pra acordar. Mas lutei. Reconheço coisas que possam me deixar pra baixo e dou um jeito automático de não sofrer. Aliás meu cérebro automaticamente quando percebe que algo me trará um sofrimento desnecessário ele me breca.


A depressão surge muitas vezes também com a nossa incapacidade de superar perdas, de atravessar momentos difíceis. Nunca se culpe. Sei que muitas vezes é difícil fazer algo. Mas faça. Há momentos que você fica bem e no outro não fica. Tente de novo e sempre. Depressão é uma doença e precisa ser cuidada. Se reconhecer as suas dificuldades já é meio caminho andado. E não  adianta fica reclamando, nem ficar dependente do remédio apenas. Tem que ir à luta! Conheci casos em que pessoas com depressão viraram corredores profissionais. Conheceram pessoas novas, e assim abre um mundo de possibilidades. Precisamos sempre de contato com as pessoas. Isso nos ajuda e muito!

Recentemente descobri o prazer em coisas que eu jamais me imaginaria fazendo. Sou tímida e morro de vergonha de algumas coisas. Descobri na dança um grande aliado pra buscar meu equilíbrio e soltar minhas energias, mantenho o Pilates há 1 ano e meio mais ou menos, fora as outras atividades que mantenho pra saúde, bem estar. Conheci pessoas novas, vivo em outro ambiente, damos risadas, conhecemos outra histórias de vida. Saímos do mundo que já conhecemos e vamos para o nosso. Mergulhamos no nosso mundo interno. A primeira coisa benéfica foi a minha mudança mental, emocional. Depois os benefícios físicos, que para mim são importantíssimos para me sentir bem, e cuidar da minha filha.

Então se posso dar um conselho dou este: Arrume sempre um tempo pra você. Descubra novos talentos, novas atividades, trabalhe sempre seus conflitos, exercite sua paz. Porque na vida a gente já tem tanta coisa pra cuidar, e se preocupar com o que não vale a pena é suicídio!
 
Compartilhe seu problema ou dificuldade com alguém que você confia. Se faz necessário procurar ajuda médica. Não fique sozinho(a) nessa! Tenha Fé em Deus. Sempre! Mas não carregue isso só. Peça ajuda. Não enfrente isso sem ninguém.

Muita paz e alegria!

Adriana.

8 de agosto de 2014

Bullying X Pessoas com Necessidades Especiais

Outro dia, estava conversando com uma outra mãe sobre a tal da inclusão escolar. Aliás inclusão não é o termo correto e sim exclusão social. O relato é o que eu ouço por muitas: - Meu filho fica jogado em um canto e os coleguinhas da classe ficam tirando o sarro. Que diabos de inclusão é esta? Que expõe a pessoa ao ridículo?

Não precisa ser pessoa com necessidade especial pra passar pelo chamado Bullying (saiba o que é aqui). Eu posso contar a minha experiência quando criança. Eu tinha dificuldades de visão, e usava óculos e tampão em um dos olhos. Sempre fui alvo de piadinhas, risadinhas, constrangimentos e isso me deixava muito nervosa.

O que eu fazia? Batia nessas crianças! Ficava cansada de ser azucrinada, e isso mexeu muito comigo por um bom tempo. Claro que a violência não é a solução. Mas era a única coisa que eu sabia fazer naquele momento. E o que acontecia? Elas não paravam! Graças a Deus consegui trabalhar em cima disso, e depois que tive a minha filha eu comecei entender o que uma palavra errada pode nos ocasionar e que eu deveria esquecer todas as palavras que me colocavam para baixo, que me faziam me sentir tão mal comigo mesma!

Vejo isso acontecer constantemente com pessoas especiais. Sempre ouço o mesmo relato no qual me identifico: - Olham nossos filhos como coisa de outro mundo! Quando não usam termos constrangedores, abordagens desnecessárias ou então apontam, riem e até imitam.

O que devemos fazer? Muitas pessoas são ignorantes, ou não sabem se expressar. O que não acho admissível é quando as pessoas são cruéis. Acho que nunca poderemos evitar passar por certas situações, porém não podemos nos responsabilizar e estarmos sempre armados para o que as falam, pensam, pois isso é de responsabilidade delas.

Acredito em uma linha entre o respeito e o limite. Acho que tudo deva ter. Uma coisa é uma pessoa não falar por mal, e outra coisa é desrespeitar e passar de um certo limite.

Devemos lembrar como pais que somos responsáveis por nossos filhos e estarmos atentos à sinais que uma colocação negativa possa ter para com os nossos. Os transtorno que isso acarreta à uma criança pode se arrastar por sua vida toda. O que os pais devem fazer é prestar atenção ao filho e sempre motivar que ele não ouça essas pessoas. Isso gera vários problemas de auto estima , auto confiança e complexo de inferioridade e uma infinidade de distúrbios que muitos não conseguem identificar a sua origem.

Muitas pessoas sofrem com o Bullying e mais tarde algumas coisas em sua vida começam a aparecer e elas sequer sabem porque aconteceu isso com elas. Quem deve ser envergonhar é quem pratica esse ato e não quem sofre. É válido a escola, a sociedade, a família e suas convivências estarem atentas. E não se engane: Muitas vezes esse comportamento molesta a moral da pessoa. E mais uma realidade: É muito comum acontecer dentro da própria família que deveria amparar e apoiar essa pessoa.

Uma sociedade que a cada dia separa as pessoas por rótulos: Magro é bonito, Gordo é feio. Perfeito é quem anda. Defeituoso é quem não anda. Quem usa óculos, quem não usa. E assim por diante.
O que temos de colocar em prática é a nossa voz. Ninguém nasceu pra ser igual a ninguém. E perfeição não existe! Deve se trabalhar a auto aceitação, e ignorar as vozes que nada sabem a bagagem que cada um carrega e onde seu sapato realmente aperta.

Até breve!

Adriana Silva