8 de junho de 2014

Zona de Conforto X Realidade

Algumas crianças possuem dificuldade de sair da zona de conforto. Ou seja, reagem diferente ao sair de um ambiente "seguro" para irem à um no qual não conhecem, por não saber o que vai acontecer.

Diferentes de nós que pensamos para onde vamos para eles essa sensação é diferente. O comando do ir à algum lugar é realizado por outra pessoa (que eles dependem), e isso os pega de surpresa.Outros sabem se orientar pela rotina, pela informação e pelos horários. O que acontece é que para essas "algumas" cada situação é vista de uma maneira diferente.

Eu aprendi que por mais que seja difícil, temos que colocar nossos filhos na situação. Se os retirarmos impedimos que eles vivenciem certas coisas, e nosso papel é insistir que eles participem delas mesmo que seja incômodo. Foi nessa insistência que integrei minha filha em ocasiões. Sofri muito enquanto isso não acontecia, penei pra dizer a verdade. Já citei que sempre procurei mostrar o lado engraçado das coisas, mostrando o lado positivo de tudo. O que antes era um "problema" hoje é algo legal, e da forma que foi mostrada dia após dia ela assimilou e amadureceu percebendo que aquilo não lhe acarretaria nenhum mal. Um exemplo são barulhos. De tanto que insisti e coloquei nessas situações nem me dei conta que ela amadureceu. E hoje barulhos como bombas, trovão, são encarados como motivos de gargalhadas dela. Qualquer tipo de barulho.

 
Acho que de alguma forma ela entendeu que faz parte da vida, e que vida é barulho. É você sentir isso.

 
A única coisa que não consegui mudar - e nem conseguiria, é a personalidade dela. Aliás, acho que não conseguimos interferir nisso, nem eu que sou mãe, ninguém consegue. A pessoa tem que querer ser diferente. E ter opinião, gostos, preferências é um sinal ótimo de individualidade e de poder sobre si mesmo. Por isso personalidade é algo que não se muda. Por exemplo: O comportamento dela é diferente em casa - é muito mais solto do que em qualquer outro lugar. E isso é aleatório nela. Se solta onde quer, a hora que quer. Se não quer, não faz. Fica mais contida, séria. Eu costumo dizer que ela é de "lua", e não adianta eu brigar pra que ela seja como eu quero em determinado lugar. Teve situações que a levei nos lugares preferidos dela e ela ficou séria, não via a hora de sair dali. Em outros que nem esperava ela se soltava. Então, o jeito de ser é dela, não posso obrigar ela a ter a personalidade sempre a mesma.

 
Uma coisa que faço muito é informar cada lugar diferente que vai, ou algo que aconteceu naquele lugar, se ela se lembra, e que aquilo se for ruim vai passar, pois voltará para casa.

Eu percebi que essas informações dão segurança mesmo não impedindo reações negativas. Uma coisa que todo dependente de cuidados é o medo de ficar sozinho e que aquela pessoa que cuida não volte. Isso é natural, afinal além dos laços afetivos, é aquela pessoa que ampara e são seus verdadeiros braços e pernas.

 
Não podemos acostuma-los em um único ambiente senão aquilo vira o seu mundo, afastando a possibilidade de viver vários mundos e experiências mesmo as ruins, mostrando que tudo passa, mostrar as coisas positivas, boas que em tudo há. Se não for feito isso, algumas oportunidades, estímulos serão excluídos de suas vidas. Então por isso é importante tira-los da zona de conforto, ir para a realidade e não poupar de viver. Porque só se vive de verdade quem experimenta de tudo à sua maneira, sabendo que há limites, regras, e precisava haver uma disciplina e uma rotina, e que também pode sair delas vez ou outra. Mas sempre coloca-los em todas as situações. Porque limitações todo mundo tem, mas a vida não se resume em uma coisa só!

(Adriana 01/05/2014)

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