1 de junho de 2014

Expectativas e Realidades.

Quando a Jaqueline era menor, eu recebia infinitas recomendações sobre estimulação em diversas áreas, e eu ficava um pouco perdida com tanta informação. Eu fazia é claro. Mas a minha filha não tinha a compreensão e o entendimento que tem hoje. Haviam coisas que ela até achava engraçadinho no começo, mas depois a cansava demais. Era um súbito instante que fazia, mas logo ela tinha aquelas atitudes do tipo: Não quero mais! No começo, eu ficava frustrada. Eu queria que a minha filha brincasse sozinha, ou continuasse o que eu comecei, que ela ficasse distraída naquilo por horas, ou até mesmo descobrisse sozinha várias maneiras de explorar as coisas. Eu sabia que o jeito de brincar, de estimular, de fazer as coisas pra ela teriam que ser diferentes. Mas mesmo assim eu fazia. Sempre seguia as recomendações que recebia, e até hoje faço. Com o tempo eu fui entendendo que eu não tinha que me cobrar, nem querer que as coisas fossem da maneira que eu quisesse ou seguisse um padrão que é realizado por todas as crianças que possuem um desenvolvimento normal.

Entendendo isso eu fui me surpreendendo. Crianças especiais possuem maneiras diferentes de explorar o mundo. Eles são extremamente sensíveis, e para quem acha que eles não percebem as coisas é um grande engano! Cada criança, (e denomino aqui pessoa, pois de fato são) independente do seu diagnóstico tem um grau de percepção das coisas que acontecem à sua volta. E isso a gente vai aprendendo com o tempo e observando. Muitos que possuem deficiências e comprometimentos mais graves aparentemente pra sociedade estão " desligados", percebem tudo! As pessoas é que não percebem nada.

O fato é que nós mães criamos expectativas. Muitas vezes demais, outras de menos. Isso é absolutamente normal. É humano. Mas a gente aprende. Tudo tem seu tempo. Se por um lado nossos filhos possuem suas dificuldades, eles tem facilidade em sorrir, facilidade em tantas outras coisas, que nos abrem os olhos para ver cada realização de uma maneira diferente e que não veríamos se não fosse assim, e descobrimos coisas muito maiores como o valor de tudo.

Não vamos ser hipócritas e dizer que não queríamos que tudo fosse diferente. Mas aconteceu! Queremos o melhor para nossos filhos. Mas de um acontecimento, de uma mudança de percurso da vida, o melhor para eles na minha opinião é serem felizes. Cada um à sua maneira. E cabe a nós fazer a nossa parte, ter paciência, esperança, fé e senso de realidade também. Acreditar que só de estarem aqui, sorrindo (o que muita gente não faz) é um grande milagre!

(Adriana- 28.02.2014)

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