7 de junho de 2014

Afastando do que nos faz mal.

Daí conversando com uma pessoa, e quando falei que minha filha é cadeirante, ela me olhou com uma pena tão grande e soltou um: Ah tadinha! Que eu chorei de tanta pena da pessoa. Antes disso fiquei me explicando que ela era feliz (Fui trouxa mesmo, não precisava me explicar).

Pois nós em quase 15 anos sabemos tudo que passamos.
Então quer dizer que uma pessoa vive na cadeirinha de rodas não é feliz?
Ela dança, ela canta, tudo do jeitinho dela. Ela não anda, mas dá passos que muitos não são capazes de dar na vida.

Eu tenho muito respeito pela minha filha. Não é qualquer pessoa que passa pelo que ela passou e sorri, e é grata, carinhosa, meiga, e feliz.
O que diferencia uma pessoa da outra não é a condição que ela está. E sim o que ela faz pra de fato ser uma pessoa diferente de tudo que já se viu. De fato ser especial em meio a uma multidão que esbarra na gente e ainda briga, que não respeita.

Muitas vezes ficamos sem ação diante das pessoas. E a gente não tem que se explicar. Afinal de contas a gente sabe quem a gente tem em casa.
Não vou mentir que gostaria que ela andasse. Às vezes eu fico cansada de ter de ser forte, pois não é fácil ter que fazer tudo ao mesmo tempo e ter as mesmas obrigações todos os dias. Não que eu ache isso um fardo. Por ela eu faço tudo!
Mas é que as pessoas não fazem ideia de como é a vida de uma mãe especial. Umas com mais, umas com menos. Mas sempre é o mesmo sentimento de se virar em 1000 e ainda assim achar que deveria ter sido 2000 mas que infelizmente não é de aço e precisa cair na realidade de um corpo físico, emocional e mental.

Temos que ainda sim cuidar de nós e nem percebemos que temos que fazer, e ainda temos que passar por julgamentos de pessoas que verdadeiramente não sabem amar.

Das pessoas lá fora a gente espera tudo. O duro mesmo é quando você tem que virar as costas pra parente porque simplesmente é cruel, sem amor, sem coração e acha que você deve isso ou aquilo.
Não querem sair da sua zona de conforto porque acham que nunca pode acontecer consigo, que a gente tem que ficar se humilhando, mendigando, e recebendo indiferença.

Uma coisa que não sou é ingrata, nem me vitimizo. Dou graças a Deus por não ir atrás de parente pra me ajudar em nada (e nem teria se pedisse), mas se tem uma coisa que aprendi é dar valor a poucos amigos, que não tem o mesmo sangue que eu mas são amigos. Ao meu esposo, à minha filha que são a minha verdadeira família. Porque a família que eu achava que eu tinha há muito tempo só merece a minha ausência.

E dou graças a Deus por descobrir a verdadeira face das pessoas.

Me julgar é fácil. Meter o pau alguns fazem, mas ajudar >>> Todo mundo some. Então..... quando me livrei do que me fazia mal, eu passei a viver melhor e olhar mais pra quem realmente precisa, me ama e que eu amo de boca cheia. Pois boca vazia, alma e coração gélidos, eu já estou farta!
 


(Adriana 06/05/2014) 

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