12 de maio de 2014

As piores Doenças.


Tenho constatado nas nossas dificuldades diárias as piores doenças dos seres humanos. Não me refiro às pessoas hospitalizadas, nem às Pessoas com Deficiência. Refiro-me às pessoas que se intitulam “Normais".

Não acho que a doença chamada Preconceito seja a pior deles. É claro que é muito feio. Mas existem duas coisas que em minha opinião são piores ainda: A FALTA DE RESPEITO E A FALTA DE AMOR.

O preconceito é uma versão do ignorante em algum assunto ou em todos. Ou ainda daquele que quer assim é, e não quer ou não aprendeu ser de outra forma. O preconceito é como uma doença. É algo semelhante à pessoa que possui a inveja. É essa pessoa que a possui, portanto o maior prejudicado na história.

É claro que essas pessoas prejudicam as outras. Mas em minha opinião, a falta de respeito e de amor ao próximo é algo que prejudica mais a vítima.

Quando falta respeito, quando falta amor, a pessoa não se coloca por um instante no lugar da pessoa que possui uma dificuldade. É claro, o problema não é dela, porque se preocupar?

Uma família que possui filhos que andam se por um momento imaginasse a seguinte situação: Os vizinhos sabem que um dos meus filhos é cadeirante e que preciso passar por determinado local, e o caminho nunca está livre. Qual a dificuldade que eu teria pra enfrentar isso? Ficaria calado diante disso?

Isso é falta de respeito e de amor! Porque respeito é se colocar no lugar do outro, e não fazer com ele o que não gostaria que fizesse com ele. E falta de amor, é a isenção de sentimento pela dificuldade do outro, é a indiferença. Amor e respeito andam juntos literalmente!

Nós pais de cadeirantes, enfrentamos todos os dias os descasos de pessoas que não estão nem aí. Até de pessoas que passam pelo mesmo problema, mas que acham que o seu é mais importante. Convivemos com o tapa na cara diário de ver vagas, mesas reservadas ocupadas por pessoas que não são deficientes, de acessos mais dificultosos. E quando andamos nos lugares, as pessoas acham que é um estorvo pra elas e que não deveríamos levar nossos filhos, pois “atrapalham" o caminho delas.

Vemos isso estampado nos rostos e olhares das pessoas. Eu não ligo. Convivo direto com a falta de educação das pessoas que só faltam passar por cima da gente, como fossemos nada!

Temos que falar sim: com licença né! Temos sim que ir reclamar.
Meu marido diz que não adianta fazer barraco. Sei que nossas atitudes podem não mudar a mentalidade de muitas pessoas, da falta de educação, de respeito e amor. Mas eu faço a minha parte cobrando e reclamando. Muitas das minhas iniciativas tiveram retornos positivos e melhoras em alguns locais.

O preconceito fere, mas fere mais quem sente porque se essa pessoa tem preconceito é porque tem algo mal resolvido consigo mesmo.
A falta de educação, de respeito e de amor, afeta todos ao redor, porque quem mais sofre é a vítima das ações dessas pessoas.

Então eu pergunto: O que fazer? Ensinar as pessoas se curarem dessas doenças e correr o risco de ouvir delas que não estão doentes, ou ensinar na marra o que é ter amor, o que é respeitar e o que é ser educado?

Vi vários relatos de mães que vão reclamar de irregularidades, que tiram foto, que colocam bilhetes nos carros agradecendo a falta de educação da pessoa por estacionar na vaga do filho, e se falta de educação era deficiência.

Acho que o mundo está cada vez pior. Existem pessoas solidárias, coerentes, mas as pessoas não passam pelas mesmas coisas que nós, portanto não estão nem aí, nós que nos preocupamos.

Eu sempre consigo dar a volta por cima, se tivermos que carregar a nossa filha na cabeça assim fará. Mas de uma forma tranquila ainda temos que avisar as pessoas que estão prejudicando nós em algo.

Não somos estorvos. Estorvos são pessoas sem educação. Isso sim. De amor, de respeito e educação, estamos bem servidos. E as pessoas? Onde será que andam usando essas palavras? Será que apenas em aparência, em palavras e zero em atitudes? Fica aqui a reflexão.

Adriana - 05/10/2012

Nenhum comentário:

Postar um comentário