4 de maio de 2014

Aceitação familiar.

  Aceitação familiar. A Inclusão começa aí! O preconceito muitas vezes vem de dentro do lar.
Os cadeirantes devem viver igual a todos, porque há muito o que se viver independente de qualquer limitação.
A aceitação é o primeiro passo, pois tem coisas que não podemos mudar, e a nossa capacidade de nos adaptar ao mundo faz toda diferença. Sempre vamos vivendo e aprendendo e isso com o nascimento da minha filha ficou muito claro pra mim...


Rejeição de Algumas Mães em relação aos seus filhos

Teve uma situação que me deixou bastante incomodada. Quando a minha filha fazia somente atendimento ambulatorial, fazíamos terapia de grupo 1 vez por semana. Havia uma mãe que nunca aparecia, quem vinha era a babá. Existia muito amor daquela pessoa que cuidava da menina. Não duvido que não exista amor da parte da mãe. Mas a situação foi que durante uma reunião, essa mãe começou falar que deveria ser feito isso ou aquilo. Daí eu falei: Ué, mas é isso que tem sido feito. Entendo que a mãe tinha que trabalhar pra sustentar a menina, pois ela era separada. 
Mas segundo a babá havia total desinteresse da mesma em vir e se informar mais. Ela deixava a menina totalmente nas mãos da babá e quando tinha tempo e poderia ficar com ela abdicava disso, e isso gerava revolta na cuidadora. Ela dizia que não se conformava, que não tinha coragem de largar a menina, pois tinha medo de uma outra babá judiar e tinha muito amor nela. Mas que infelizmente a mãe só olhava o próprio umbigo, era uma pessoa problemática, que explorava os serviços dela, pois tinha sido contratada pra cuidar da menina. E cuidar de menina implica apenas em cuidar dela, das roupinhas dela, da comida dela, nada mais. 
 E cuidar de uma criança especial é muita dedicação. Só que a patroa não via isso, e a babá que levava nas terapias à pé, pois moravam perto.  Eu ouvindo aquilo ficava indignada, mas percebia que a mãe não aceitava muito aquela condição, e como tinha quem cuidasse largava. A babá cansada, esgotada, porque dormia lá, havia largado a sua vida familiar, e fazia serviços da casa que não eram de sua responsabilidade. 
Eu não gosto de julgar as pessoas. Mas fico revoltada porque mãe é mãe. Eu acho que o sofrimento dela a fazia rejeitar a menina. Uma vez cheguei conversar com ela. Ela me parecia uma pessoa muito esclarecida, estudada, trabalhava em um cargo alto, e tinha um bom poder aquisitivo. Ela queria ter tempo pra ela, porque trabalhava demais, mas esquecia literalmente a menina. Ela contava com muito sofrimento o que já havia passado, sobre a separação, sobre a gravidez, e falei pra ela que ela ainda tinha sorte de ter uma babá como a que tinha, que estava ali há anos, de confiança e era como uma mãe pra menina. Mas que a filha precisava do amor dela de mãe. Às vezes eu vendo as atitudes dela, me dava revolta, e dó ao mesmo tempo. Pois eu sendo bem mais nova do que ela tinha um pensamento diferente.
Mas acho que as pessoas descobrem as coisas ao seu tempo. Filho é filho. Acho que se a mãe dá algo pra um tem que dar a todos. Se for pra rejeitar pra que ter? Teve outro caso semelhante onde a tia cuidava de uma menina, e ela relatava que deixava tudo pronto pro final de semana, comida caseira no congelador pra menina e a mãe não dava, e sim dava leite. A tia brigava muito com ela, era uma implicância só. Mas eu ficava na minha só ouvindo. Porque sempre tem as duas versões da história e a verdade. 
A gente sempre tem resposta pros problemas dos outros, mas acho que rejeitar um filho é negar a si mesmo.
Adriana Silva 12/05/2012

Nenhum comentário:

Postar um comentário