13 de janeiro de 2018

Cadastramento Único

6 de dezembro de 2017

Direitos das Pessoas com Deficiência


Créditos da Imagem: https://www.facebook.com/SenadoFederal/

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24 de outubro de 2017

Ver além do que se vê. Definir uma pessoa sem olhar para a aparência.


Sempre vou bater nessa mesma tecla várias vezes e quantas vezes for preciso. Não sou responsável pelo que as pessoas dizem e pensam. Mas  insisto não concordar com" rótulos". Algumas vezes por não valer a pena sequer argumento ou respondo. Mas fico incomodada comigo mesma. 

Até entendo que algumas pessoas tem um certo pensamento, e não sabem se expressar e acham absolutamente normal se referir de certa maneira. Entendo pessoas " antigas" que falam sempre da mesma maneira. Mas como não podemos controlar o que as pessoas pensam, fazem e acham, me limito a corrigir quando acho conveniente. Sempre com educação.

A verdade é que todos nós temos a mania de nos referir à pessoas baseado nas suas características. Quem nunca fez, atire a primeira pedra. Ao se referir à uma pessoa alguns termos: Aquele (a) gordinho (a); Aquela (a) magrinho (a). Outro dia uma pessoa se referiu à minha filha da seguinte forma à outra:  - Ela tem uma filha doente.

Imediatamente e sem pensar respondi: - Não, ela não é doente. O nome dela é Jaqueline! Ela é uma pessoa como eu, como a senhora, tem nome, sobrenome, identidade e cpf. Ela é feliz, mais do que muitas que andam, sem maldade no coração e muito grata. A pessoa ficou sem graça, e depois até em pensamento critiquei a mim mesma por ter dado tantos detalhes e satisfação. Bastava só dizer que o nome dela é Jaqueline.

Depois, pensando comigo mesma me veio à mente que geralmente as pessoas não enfatizam as qualidades das outras e se preocupam muito com a aparência. Basta não andar para ser "doente "; basta ter alguma alteração neurológica para ser " doido", e por aí vai a vasta gama de rótulos sem conhecimento. Sei que isso é hábito e como eu disse algumas pessoas nem percebem que erram. Não sou responsável por elas, não vou mudar o mundo e não vou ficar brigando com todos por isso. Perdi as contas de quantas vezes virei as costas porque não valia a pena. 

Dou aqui o exemplo da família materna e paterna da Jaqueline . Tenho a benção de ter pais maravilhosos. Minha mãe sempre foi muito rígida, e sempre nos ensinou a ter respeito, educação e tratar todas as pessoas da mesma forma. Durante minha infância tive contato com amigos que tinham alguma deficiência e sempre fui defensora árdua contra injustiças e preconceitos. Mesmo que eu tenha sofrido alguns por usar óculos, tampão, eu sabia como era se sentir por baixo algumas vezes. Era amiga de verdade dessas pessoas, não tinha dó e sim muita admiração, amor, carinho e respeito. Meus pais, irmãos, primas da Jaque nunca a trataram diferente. Meu pai mesmo sendo meio antigo e conservador sempre tratou a Jaque de uma maneira linda. Por ver o como a tratamos, muitas pessoas mudaram seu jeito. 

A família paterna a mesma coisa (salvo algumas exceções) que já se referiram à ela como doente por exemplo. Já passei por situações que vi nitidamente que alguma pessoa tinha vergonha. Isso me doeu por alguns anos, mas depois resolvi isso dentro de mim e penso que é uma pena essa pessoa achar isso e não se dar a chance de conhecer o melhor dela. Minha sogra quando viva mesmo tendo ainda alguns pensamentos antigos sempre foi carinhosa, sempre amou de verdade a neta, sempre preocupada, e sinto muito a falta dela pois independente de data (aniversário, natal, dia das crianças) ela aparecia, trazia algo pra colocar no cabelo da Jaque, e tenho essas coisas até hoje. 

Aliás, tocando nesse assunto de conhecer é o que percebo que fazemos constantemente: Analisamos uma pessoa somente pelo que vemos. Não pelo que ela é. Vemos se tem tatuagem, se tem opção sexual diferente, se é mais gordinho ou magro demais. Marcamos mais isso do que a personalidade , caráter, jeito de ser, e algo importante e bom que a defina.

Definir uma pessoa não é pelo que se vê e sim pelo que sente. Uma pessoa é um conjunto de atitudes. Então, não é pelo fato da minha filha não andar que ela é doente. Não é porque uma pessoa na rua que vejo é toda tatuada que ela não tem caráter. Não é porque uma pessoa se veste bem que não pode ser um ladrão. Não é porque uma pessoa é negra que é bandido. Esses rótulos são tão errados... Aliás se tem uma coisa que abomino é teorias, conceitos pré estabelecidos que não mudam ou não se dão a chance de mudar.

Claro que vejo isso em pessoas próximas, que acham isso e aquilo do mundo à volta e eu não concordo. Mais uma vez vou lá explico mas sei que muitas não assimilam. Mas também não fico a paisana analisando cada palavra que cada pessoa vá me dar pra ter que contestar. Cada pessoa pode pensar da forma que quiser. Mas também me dou ao direito de falar o que penso, o que é realmente de fato, ou simplesmente virar as costas e dar o silêncio como resposta. 

Independente de qualquer coisa, a minha filha vive a vida dela, feliz, grata, sempre expressando os sentimentos às pessoas que ela gosta. Ela não  tem maldade do mundo, e eu a trato acima de tudo como uma pessoa. Não a olho e nunca a olhei com piedade, nunca a achei doente, pra mim é um exemplo de pessoa. Acima de qualquer coisa é minha filha, e trato com muito carinho, respeito, amor e limites. Isso é o que toda pessoa deveria dar e receber e nós damos e recebemos isso dela. Não acho que o mundo tem que parar pra que eu passe, não olho apenas para o meu umbigo. Tenho educação, gentileza, compaixão, empatia mesmo que não receba o mesmo de volta. Não me acho a melhor pessoa do mundo, mas cuido de uma que para mim é a melhor pessoa que poderia ter na vida. 

Permito-me mudar. Permito- me mudar de ideia. Acho que posso ser um décimo do que minha filha é. Isso já é alguma coisa. Posso ser melhor. E não a melhor. Não sou nada. Nada somos. Apenas aprendizes da vida se assim quisermos ser. Somos falhos, não melhores do que ninguém. 

Todos nós estamos sujeitos ao precário da vida. 

(Adriana Silva)